Segunda-feira, 20 de Janeiro de 2020

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Economia Os executivos brasileiros estão otimistas quanto às perspectivas de crescimento da economia brasileira para os próximos três anos

No entanto, os executivos estão cautelosos quanto às expectativas em relação às suas próprias organizações para o mesmo período. (Foto: Reprodução)

Os executivos brasileiros estão otimistas quanto às perspectivas de crescimento da economia brasileira para os próximos três anos, mas cautelosos quanto às expectativas em relação às suas próprias organizações para o mesmo período. As informações são do jornal Valor Econômico.

A constatação é de uma pesquisa anual realizada pela KPMG com 50 diretores-presidentes de companhias de diversas áreas de atuação. Ela é parte de um estudo que abrange 2.535 líderes de empresas em outros 63 países. Mais da metade (60%) dos entrevistados atua em empresas de capital fechado, com 56% delas tendo faturado entre US$ 1 bilhão e US$ 9,9 bilhões no ano passado.

Segundo o levantamento, o número de executivos que se diz “muito confiante” quanto ao crescimento econômico do país nos próximos três anos atingiu 42%, acima dos 9% que demonstrou o mesmo nível de entusiasmo no ano passado. Mas a quantidade de dirigentes que respondeu o mesmo em relação ao crescimento de sua empresa recuou — eram 57% no exercício anterior e agora são 44%.

Uma novidade foi o surgimento de uma parcela de 12% que demonstrou estar “neutro” quanto às perspectivas de crescimento de suas organizações, o que não aparecia no levantamento do ano passado. O número de executivos que está “confiante” subiu de 43% para 44%.

O descompasso entre a expectativa de crescimento da economia e das empresas, de acordo com Charles Krieck, presidente da KPMG no Brasil e na América do Sul, mostra que os executivos estão levando em consideração as lições aprendidas na última recessão e aguardam a estabilização da economia para voltarem a investir. “Tem otimismo [entre os empresários], sem dúvida, mas com cautela, porque quem já se machucou não quer se arriscar novamente”, diz.

O espírito de “otimismo cauteloso” aparece quando se olha para as respostas dos executivos quanto ao crescimento da receita nos próximos três anos e a propensão para contratações.

Nos dois levantamentos, a maioria dos executivos brasileiros afirmou que tinha expectativas de um crescimento mínimo de receitas no próximo triênio, de até 2% ao ano. Pensavam desta maneira 87% dos entrevistados em 2018. No atual levantamento, a quantidade que disse o mesmo é de 64%. Ao mesmo tempo, aumentou o percentual que acredita em um crescimento de 2% a 5% — eram apenas 8% no ano passado e agora são 30%.

No caso das contratações, 74% dos entrevistados respondeu que espera aumento de menos de 5% no número de funcionários. Em 2018, o percentual foi de 85%. A quantidade de executivos que espera um avanço de 6% a 10% no quadro de funcionários passou de 11% para 18%.

O estudo foi feito entre janeiro e fevereiro, antes de os primeiros dados demonstrarem que o Brasil entrou em recessão no primeiro trimestre. O presidente da KPMG no Brasil e na América do Sul disse que voltou a ouvir alguns executivos e constatou que o nível de otimismo permanece praticamente o mesmo.

A adoção de medidas pró-mercado, principalmente a reforma da Previdência, são vistas como chave para os empresários se sentirem à vontade para investir, ao estabilizar a economia.

A demora para a resolução do que precisa ser resolvido deixa os empresários cautelosos”, diz Krieck. “No momento em que se resolver a reforma da Previdência, uma série de investimentos deve sair do papel.”

Comparando com seus pares internacionais, a pesquisa mostra os executivos brasileiros menos otimistas. A soma dos executivos “muito confiantes” e “confiantes” em relação ao país chega a 76%. No restante do mundo, o grupo dos mais otimistas perfaz um total de 83%.

Também é relativamente menor a proporção de executivos brasileiros mais otimistas em relação às suas empresas. Apesar de 82% apresentar confiança intensa ou moderada quanto aos seus negócios, no restante do mundo esse universo atinge 94%.

Mesmo com a confiança um pouco menor, Krieck demonstra otimismo. “Continuo ouvindo dos empresários que eles têm vontade de investir”, afirma.

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