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Filhos de uma mulher assassinada pelo marido em um hospital em Santa Catarina ainda não receberam indenização, quase dez anos depois

Feminicídio aconteceu dentro de hospital, em 2010. (Foto: Arquivo/Agência Brasil)

Os filhos de vigilante Alessandra Mendes, 32 anos, assassinada pelo marido em um hospital em Santa Catarina ainda não receberam indenização quase dez anos depois. Ela chegou ao HRO (Hospital Regional do Oeste) de Santa Catarina, em Chapecó, no fim da tarde do dia 9 de maio de 2010 avisando que corria perigo. Tinha cortes de faca em um dos braços, mas temia mesmo era outro ataque do ex-marido, Vanderlei Puerari.

Logo avisou aos médicos e enfermeiros, reiteradas vezes, que ele a tinha atacado no trabalho e roubado sua arma, prometendo que ela não escaparia viva outra vez. Em pânico, Alessandra escreveu de próprio punho para registro da portaria do HRO: “Muita atenção. Vanderlei Puerari, moreno claro, magro, cabelo encaracolado, usa boné. Não deixe entrar, tentativa de homicídio contra Alessandra Mendes”. Ninguém a protegeu e, ainda naquela madrugada, ele a matou com cinco tiros no leito do próprio hospital.

Passados quase nove anos do crime, o Judiciário catarinense finalmente julgou, em meados de fevereiro deste ano, a ação de indenização da família de Alessandra contra o hospital e a União. Ela deixou quatro filhos menores de idade à época — dois meninos tinham, respectivamente, 3 e 10 anos, duas meninas tinham 12 e 14 anos.

Pela sentença da 2ª Vara da Fazenda Pública da comarca de Chapecó, cada um deles deverá receber R$ 80 mil por danos morais e uma pensão mensal de R$ 170 até que todos completem 25 anos. Com a correção, os valores devem ser atualizados para R$ 150 mil e R$ 350. Mesmo assim, os números causaram certa perplexidade na família.

“Tive que rir. Quem se sustenta com R$ 170 por mês? Ninguém se sustenta com esse valor”, diz Camila Caroline de Ré, 24 anos, filha mais velha de Alessandra, ao lembrar da situação dos irmãos, um ainda com 13 anos.

A advogada da família, Luciane Lilian Dal’ Santo, disse que eles vão recorrer da sentença que condenou o hospital e o estado catarinense.

“Esse caso envolve muito a questão emocional. As crianças eram pequenas, teve toda uma crueldade. Esse dano moral não repara o que eles passaram, passam e o que ainda vão passar”, afirma a advogada. Ela explica que os valores foram calculados a partir do salário formal anotado na carteira de trabalho da vigilante que era de R$ 1 mil, na ocasião. “O Judiciário fica muito atrelado a essa prova material. Ela recebia mais com horas extras e bicos”, completa Dal’ Santo.

O crime ocorreu em um domingo de Dia das Mães. Alessandra Mendes fazia plantão em uma empresa de estocagem de produtos congelados quando foi abordada por Puerari. Quando ele a atacou com uma faca, ela se defendeu, mas ele conseguiu tirar sua arma. Com a confusão, os vizinhos do local chamaram os bombeiros, e o homem fugiu. Não sem antes ameaçá-la. Por isso, ao entrar no hospital ela alertou a equipe de saúde sobre o perigo.

“Ela tinha uns 12 boletins de ocorrência contra ele. Tinha medida protetiva, ordem de restrição”, conta a filha Camila Caroline de Ré.

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