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Brasil Os gastos da Presidência da República agora não são mais sigilosos

Inicialmente, a ordem era de que o Planalto não comentaria o caso. (Foto: Agência Brasil)

O STF (Supremo Tribunal Federal) acabou com o sigilo de gastos presidenciais, decreto-lei de 1967 e não recepcionado pela Constituição Federal de 1988.

Na última terça-feira (5), os ministros utilizaram o plenário virtual para derrubar a confidência, por um placar de 6 a 5. O cartão corporativo também está incluído na publicidade. Edson Fachin, Celso de Mello, Marco Aurélio Mello, Cármen Lúcia, Luís Fux e Ricardo Lewandowski venceram a disputa. Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Luís Roberto Barroso e Rosa Weber foram vencidos.

Para Fachin, relator da matéria, a lei é incompatível com a Constituição. A ação foi protocolada no STF em 2008, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pelo presidente do Cidadania, na época PPS, Roberto Freire, ex-deputado federal por São Paulo. Na época, o PPS disse que o sigilo feria a publicidade da administração pública. Além disso, o segredo previsto no decreto de 1967 só poderia ser colocado em questão em casos que envolvessem a segurança nacional, o que acabou deferido pelo STF.

Cartões corporativos

Em março deste ano, o jornal O Estado de S. Paulo divulgou que os gastos com cartões corporativos da Presidência da República nos dois primeiros meses do governo Jair Bolsonaro aumentaram 16% em relação à média dos últimos quatro anos, já considerada a inflação no período.

Apesar de ter seu fim defendido durante a transição, a nova gestão não só manteve o uso dos cartões como foi responsável por uma fatura de R$ 1,1 milhão.

O cálculo leva em consideração os pagamentos vinculados à Secretaria de Administração da Presidência da República – que incluem as despesas relacionadas ao presidente.

A extinção dos cartões corporativos foi defendida pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, durante a transição de governo. Na ocasião, o ministro disse que mudanças seriam feitas com “critérios”, baseadas em consultas à AGU (Advocacia-Geral da União) e à CGU. Ao Estado, os dois órgãos disseram que ainda não foram consultados sobre o tema.

Ao todo, 1.846 servidores estão registrados para usar os cartões corporativos. Eles foram responsáveis por um gasto total de R$ 5,3 milhões até agora no ano.

Neste caso, quando considerados todos os órgãos do governo, houve uma economia de 28% em relação à média dos últimos quatro anos. As despesas de fevereiro, porém, ainda não estão integralmente listadas.

No caso da Secretaria de Administração, o R$ 1,1 milhão só é menor do que o gasto nos dois primeiros meses de 2014, quando a gestão Dilma Rousseff desembolsou R$ 1,4 milhão, em valores atualizados pela inflação.

Além de eventuais despesas em favor de Bolsonaro, a secretaria é responsável por gastos de familiares do presidente e das residências oficiais. Responde ainda por pagamentos corriqueiros da Presidência.

Outro item que cresceu foi a proporção das despesas da secretaria dentro do total de gastos do governo, que chegou a 21%. Esse porcentual variou entre 10% e 15% nos anos anteriores.

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