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Os refugiados ocupam só 23% das vagas reservadas a eles em universidades brasileiras

Cresceu o número de instituições que oferecem programas de acesso facilitado aos refugiados. (Foto: Reprodução)

Apenas 86 das 370 vagas destinadas a refugiados nos cursos de graduação de 11 universidades brasileiras foram preenchidas neste ano, o que corresponde a 23%, segundo dados do Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados) obtidos pelo jornal Folha de S.Paulo.

Apesar de a ociosidade ainda ser alta, o número de refugiados matriculados no ensino superior aumentou em relação ao ano passado. Neste ano, são 86 refugiados que ingressaram em faculdades no Brasil, 16 a mais do que o registrado em 2017 – um aumento de 22%.

Também cresceu o número de instituições que oferecem programas de acesso facilitado aos refugiados. No ano passado eram nove, agora são 11. Segundo o comissariado, outras cinco instituições planejam implementar programas que facilitam o acesso desse público ao ensino superior. São elas: Unifesp, Ufsc, UEPB, Uerj e Unisinos.

Para Federico Martinéz, representante-adjunto do Acnur no Brasil, os esforços do grupo são um exemplo a ser seguido no resto do País e constituem um “passo fundamental para que os refugiados possam reiniciar suas vidas no Brasil, promovendo efetivamente sua integração local”. Ele afirma também que as instituições de ensino brasileiras estão na vanguarda.

De acordo com dados mundiais da organização, divulgados no documento Turn the Tide (Mudar o Rumo, em inglês), apenas 1% dos refugiados no mundo tem acesso ao ensino superior. Ainda segundo a organização, o acesso ao ensino superior se configura como a maior dificuldade dos refugiados no mundo, especialmente por conta do custo envolvido no processo.

Segundo o documento do Acnur, além do acesso ao ensino superior, muitas vezes o refugiado não tem recursos disponíveis para arcar com as despesas relacionadas a um curso universitário, incluindo transporte, moradia, alimentação, entre outras.

Por causa de fatores como este, a instituição reforça a importância da oferta de bolsas que facilitem a permanência do estudante. Atualmente, segundo dados do Conare, o Brasil tem 10.145 refugiados reconhecidos e 86.007 solicitações de reconhecimento em trâmite.

Egide Nshimirimana, 29 anos, nascido no Burundi, faz parte da estatística de acesso deste ano. Morador de São Mateus, na zona leste de São Paulo, ele começou o curso de bacharelado em ciência e tecnologia da UFABC (Universidade Federal do ABC) em junho deste ano.

Nshimirimana fez o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e conseguiu o ingresso por meio de um programa que reserva vagas para os refugiados. Para manter os gastos, recebe uma bolsa-permanência da universidade e garante que, sem ela, não seria possível estudar.

“No Burundi, eu cursava matemática e física, aqui é quase a mesma coisa porque o programa é interdisciplinar. Mas lá logo eu teria de escolher entre matemática ou física. Aqui na UFABC o bacharelado dura três anos no mínimo, depois que escolhemos a carreira, e tem 27 cursos. Eu queria fazer engenharia biomédica.”

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