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País que mais mata LGBTs vê em âncora gay uma grande vitória

Primeiro gay assumido no telejornal JN, Matheus Ribeiro se diz parte da "evolução" da sociedade. (Foto: Reprodução/Instagram)

O Brasil lidera o ranking mundial de assassinatos de gays, lésbicas e transexuais. Uma morte é registrada a cada 16 horas. Essa violência baseada no preconceito não para de aumentar. Por isso, a presença do jornalista Matheus Ribeiro, de 26 anos, na bancada do Jornal Nacional neste sábado (9), no rodízio de âncoras das afiliadas nos estados, ganha aura de conquista histórica.

Ele se assumiu gay após a pressão das redes sociais. As suposições a respeito de sua sexualidade o fizeram se declarar homossexual e confirmar o namoro com um policial.

Nas últimas semanas, a orientação sexual de Matheus Ribeiro e seu discurso em prol do amor e da tolerância repercutiram amplamente na imprensa e na web.

A intimidade de um âncora de telejornal não deveria gerar notícia. Mas em um País com o recrudescimento da discriminação, a homossexualidade de um jornalista com visibilidade na TV passa a ter caráter político.

Ainda que recuse ser visto como desbravador, o jovem apresentador goiano dá imensurável contribuição à luta contra a homofobia e passa um recado a milhões de LGBTs acuados pelo sectarismo da sociedade brasileira: sim, é possível chegar lá.

Nos Estados Unidos, há vários âncoras gays assumidos. Entre os mais famosos, Anderson Cooper e Don Lemon, da CNN, e Rachel Maddow, da MSNBC. A orientação sexual não interfere na atuação profissional nem na credibilidade deles junto ao público.

Por aqui, a maioria dos apresentadores sabidamente homossexuais, do jornalismo e da área de entretenimento, prefere fazer mistério a respeito da própria sexualidade. Alguns até fingem ser héteros. Entre os motivos, o medo do preconceito e o temor de prejuízo à carreira.

Na TV brasileira, jornalistas gays ainda têm um longo caminho a percorrer. Matheus Ribeiro deu um passo gigantesco. Tomara que outros LGBTs tenham a mesma coragem e aproveitem o caminho aberto para avançar.

Espera-se também que as emissoras se livrem do tabu de ter diante das câmeras âncoras e repórteres assumidamente gays. Um jornalismo que valoriza a diversidade estará mais conectado à realidade que busca retratar a seus telespectadores.