Pâncreas artificial e evolução de teste com veneno de ornitorrinco e aranhas chegam para revolucionar o incômodo de 14 milhões de brasileiros na autoaplicação diária de injeções de insulina

O pâncreas artificial é uma bomba de insulina, com monitoramento automático e contínuo da glicose. (Foto: Reprodução)

O incômodo de 14 milhões de brasileiros na autoaplicação diária de injeções de insulina para o controle das taxas de açúcar no sangue está perto de acabar. Avanços da tecnologia e da medicina têm trazido esperanças de melhor qualidade de vida e saúde aos pacientes. Para combater a enfermidade, novos equipamentos e medicamentos estão surgindo no mercado.

As novidades vão desde o pâncreas artificial, já lançado no exterior e considerado revolucionário, até estudos, em fase de aprovação na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), de implante de dispositivo subcutâneo, capaz de liberar, entre seis meses a um ano, o Exenatida. O remédio controla o diabetes, eliminando as inconvenientes picadas.

Há pesquisas em andamento (e por isso ainda não divulgadas) também de novos estimulantes para o pâncreas produzir insulina, a partir do veneno do ornitorrinco e da aranha tarântula ou caranguejeira, por exemplo. Até o veneno de um molusco do mar está em teste”, afirmou o endocrinologista Renato Redorat, membro da SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes).

O pâncreas artificial é uma bomba de insulina, com monitoramento automático e contínuo da glicose. Vendido por enquanto nos Estados Unidos e Europa, o dispositivo se mostra eficaz no controle dos níveis de glicemia e administração de insulina. O ‘irmão gêmeo’ do equipamento, porém, já está sendo comercializado desde maio no Brasil.

Trata-se do MiniMed 640G, trazido para as terras brasileiras pela Medtronic, líder em tecnologia médica. O equipamento é exatamente como o pâncreas artificial, só que monitorado de forma manual. Seu custo ainda é alto: cerca de R$ 14 mil, com manutenção mensal em torno de R$ 700. O sensor do aparelho, que é a prova d’água, consegue prever, com 30 minutos de antecedência, quando o nível de glicose estará próximo do limite mínimo, interrompendo automaticamente a administração de insulina.

O equipamento imita a forma como um pâncreas saudável fornece insulina básica, a fim de obter um melhor controle glicêmico”, contou Denise Reis Franco, endocrinologista e diretora do Departamento de Educação da SBJ (Sociedade Brasileira de Diabetes Juvenil).

O diabetes é classificado em dois tipos: 1 (10% dos casos), quando organismo produz pouca ou nenhuma insulina e 2, a mais comum, desencadeada por fatores como sedentarismo e obesidade.

Alto custo é compensado com tempo

Renato Redorat considera o pancreas artificial uma “explêndida inovação” por reduzir significativamente o grande mal do diabético, que é a hipoglicemia, maior causa de arritmia cardíaca e morte. “O diabetes é a enfermidade que menos recebe investimentos governamentais, não dói, não arde, não coça, mas quando ataca, não tem volta; a lesão será eterna”, advertiu. Ele lembra que o diabetes é hoje a maior causa de amputação não traumática no Brasil. Um total de 60% dos pacientes passam também por hemodiálise.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o diabetes mata uma pessoa a cada seis segundos. Um em cada dois adultos com diabetes não é diagnosticado. A estimativa é que um em cada 11 adultos tem diabetes (415 milhões no planeta).

O alto custo do pâncreas artifical, diz Denise Franco, é compensado com o tempo, pois outras complicações do diabetes são evitadas, como cardiovasculares, perda de visão, alteração renal, neuropatias e amputações.

Dieta e exercícios são essenciais

A mudança de estilo de vida ainda é a forma mais barata de se prevenir e combater o diabetes. “Para prevenir principalmente o tipo 2, intimamente ligado à obesidade, um plano alimentar individual, aliado a exercícios físicos, modulação do estresse e sono, são essenciais”, explicou a nutróloga Juliana Risso Machado, do Hospital Pedro Ernesto.

Alimentos industrializados devem ser cortados. Dietas com restrição de carboidratos, como a chamada low carb ou cetogênica, e jejum intermitente, são as mais apropriadas, por diminuírem o esforço do pâncreas”, aconselhou.

A funcionária pública Ana Paula Arantes, 51 anos, diabética há 22 anos, filha de diabéticos, está feliz com os avanços da medicina. “Tudo que melhore nossa vida é bem-vindo”, comemorarou Ana, que usa dois tipos de insulina diariamente. (AD)

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