Pequenas cidades, grandes negócios… E o Tite..

Deserto de Mojave. (Foto: Reprodução)

Guardadas as proporções, há mais de 30 anos preguntei para um proprietário de bar em Santo Ângelo as razões pelas quais só tinha vinho ruim para vender. Disse-me: se eu colocar um mais caro, não vendo. E eu lhe respondi, com uma pergunta; você não vende porque não compram ou as pessoas não compram porque você não tem para vender? Essa é a ideia básica do mercado.

Os Estados Unidos praticam o mercado como ninguém. Você anda no deserto de Mojave ou no interior do Colorado e, de repente, encontra uma cidadezinha com todas redes de fast food, um Wall Mark, um Target etc. Hotéis, vários.

Nem vou falar das pequenas cidades que têm estações de esqui. Falo das cidades no meio do nada. Das montanhas. Como a cidade de Ouray, no sertão do Colorado, 1450 habitantes. Mas o mercado tem carne melhor para vender que os supermercados brasileiros. E as cervejas? Esse mesmo mercadinho tem tanta cerveja que é impossível escolher. E a cidade tem uma livraria. E uma biblioteca pública.

E tem uma loja de comida, que vende desde livros culinários até panelas, temperos e quejandos. Ficamos em um hotel de 1800 e tal. Como no faroeste. O restaurante mais frequentado se chama Outlaw (fora da lei), cheio de fotos de John Wayne.

Bom, não muito longe tem outras cidades pequenas, até com mais coisas. Esta da qual falei tem menos de 1500 almas. Imagine uma cidade com 5 mil almas. Em Teluride tem hotel de luxo, caríssimo. Bom, tem para vários gostos e bolsos. Cravada entre montanhas. Lindas cidades para quem faz turismo on the road.
Desertos e pequenas cidades me fascinam. Aquela vegetação enfrentando o homem e o homem tentando domar a natureza, morando no meio do nada, como aquela cabana do filme de 1950 Rastros de Ódio, de John Ford, estrelada por John Wayne, filmada em Utah. Aliás, Utah e sua paisagem lunar é fascinante.

Em termos literários, quando estamos andando no meio do deserto ou nas montanhas hostis, penso em dois autores brasileiros: José Lins do Rego, em que a natureza é tudo e o homem é nada e Graciliano Ramos, em que o homem é forte, domador, e a natureza, embora agressiva, é vencida. Deve ser vencida. Fogo Morto e Vidas Secas são dois livros que me impressionam e fazem pensar sobre a relação homem-natureza.

Andando no deserto, penso nisso. Logo chegando a uma nova cidade. No meio do nada. Mas com uma bela Licquor, loja de bebidas que tem de tudo. Aliás, quero registrar: a loja de bebidas de Ouray tem mais variedades de bebidas sofisticadas que a melhor loja de importados de Porto Alegre. Sério.

Alguns restaurantes de Porto Alegre são patéticos. Quando se pede um gim tônica, dizem: só tem Gordon e Antártica. Por certo, o dono não põe gim mais sofisticado porque não vende… e tônica importada, própria para esse drink, também não terá demanda… Ou, quem sabe, se colocar o produto, alguém comprará… Dilema tostines: não vende porque não tem ou não tem por que não vende? Hum, hum.

Post scriptum: fico sabendo que a seleção do pastor Tite não voltou toda para o Brasil. É bom mesmo. Neymar-rento pode ficar na Europa. Como chato é o Tite, querendo fazer pregação e para dizer que o lateral joga avançado, fala que “o externo joga espetado”? E diz isso olhando direto para a câmara. Ah, para com isso.

Deixe seu comentário: