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A Polícia Federal quase dobrou o número de delegados responsáveis por inquéritos da Operação Lava-Jato

A Polícia Federal possui mais de 600 cargos de delegados vagos. (Foto: Agência Brasil)

A PF (Polícia Federal) deve praticamente dobrar o número de delegados responsáveis por conduzir os inquéritos da Operação Lava-Jato que tramitam no STF (Supremo Tribunal Federal). De acordo com fontes internas, a corporação encerrou um processo de recrutamento para integrantes com dedicação exclusiva à força-tarefa.

Eles cuidarão de casos envolvendo parlamentares, políticos, e demais autoridades com prerrogativa de foro junto ao Supremo investigados pela Lava-Jato. Com isso, o efetivo de delegados para tocar essa função subirá de nove para 17.

A atual equipe será mantida, com o acréscimo de outros 8 delegados, sendo que todos eles continuarão a ser liderados pelo delegado Josélio Azevedo de Souza, atual coordenador de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado da PF. O nome dos escolhidos, contudo, ainda não foi divulgado oficialmente. Também haverá aumento no contingente de agentes e demais integrantes da Polícia Federal.

A intenção da PF, segundo a fonte, é acelerar a conclusão das investigações de inquéritos da Lava Jato contra autoridades investigadas no Supremo. Essa foi uma das metas impostas pelo novo diretor-geral da corporação, Fernando Segovia, desde que assumiu o cargo em novembro do ano passado.

Segovia, que tomou posse sob desconfiança justamente por ser apoiado por investigados na Lava Jato, quer concluir essas apurações o quanto antes. A avaliação, segundo uma fonte, é que há a necessidade de dar vazão a esses inquéritos e isso só vai ocorrer com o aumento do efetivo. Nas contas da PF, há 273 inquéritos em andamento sobre políticos com foro no STF, dos quais 124 exclusivamente referentes à Lava-Jato.

Filme

A Polícia Federal investiga o financiamento do longa-metragem “Lula, o Filho do Brasil” e a participação de personagens envolvidos no tema, em especial o então ministro Antonio Palocci junto a empresas. A um custo total de cerca de R$ 12 milhões, financiados com recursos da produção as empreiteiras Odebrecht, OAS e a Camargo Corrêa.

Baseada no livro homônimo da jornalista Denise Paraná, a cinebiografia do petista estreou em 1º de janeiro de 2010, último ano de seu segundo mandato como presidente da República. No enredo está a trajetória de Lula desde a infância dramática no sertão de Pernambuco, passando por sua chegada a São Paulo no pau-de-arara, as dificuldades enfrentadas ao lado da família, o trabalho na indústria metalúrgica, as greves dos anos 1970 no ABC paulista e a consagração política do personagem da vida real.

“A história é uma superação das perdas”, disse o cineasta Fábio Barreto na época das gravações. “O meu trabalho é o de humanizar o mito vivo que é o Lula, só não vamos entrar na fase política.”

Na investigação da PF, o ex-ministro Palocci já prestou depoimento, há quase um mês. Ele foi questionado pelo delegado Filipe Hille Pace sobre a relação que supostamente teria com a produção do filme. O ex-ministro declarou que ‘deseja colaborar na elucidação de tais fatos’, mas que naquele momento ficaria em silêncio.

Na mesma ocasião, o empreiteiro Marcelo Odebrecht, delator da Lava-Jato, falou ao delegado e respondeu a uma série de perguntas sobre o caso. Durante a oitiva, a PF apresentou a ele e-mails extraídos do seu computador e ligados ao financiamento da cinebiografia.

As mensagens resgatadas foram trocadas por executivos da empreiteira entre 7 de julho de 2008 e 12 de novembro daquele ano. Naquele dia, Odebrecht escreveu um e-mail com cinco tópicos endereçado a outros funcionários do grupo. Na lista estavam os executivos Alexandrino Alencar e Pedro Novis, que também se tornaram delatores da Lava Jato.

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