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“Política não é muito da mulher”, disse o presidente do PSL

O deputado Luciano Bivar (PE), presidente do PSL, foi o responsável por autorizar o advogado Wladimir Reale a ingressar com as ações no Supremo. (Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados)

Presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, 74, afirmou que, em sua visão, mulher não tem vocação para política. Fundador e principal cacique da legenda, ele se disse contra a regra de cota que está em vigor atualmente e que determina que 30% dos candidatos devem ser do sexo feminino. “[A política] não é muito da mulher. Eu não sou psicólogo, não. Mas eu sei isso”, disse.  A afirmação foi dada em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo. Confira trechos.

Bivar afirmou não ter sido consultado sobre o repasse de R$ 400 mil de dinheiro público a uma candidatura de fachada de seu Estado, Pernambuco, onde foi reeleito deputado federal em 2018.

1. Estamos fazendo uma reportagem sobre a candidata Maria de Lourdes Paixão, o sr. a conhece?

Conheço, conheço. Ela foi candidata naquelas vagas remanescentes, em 7 de agosto… – [Interrompe] Sim… Ela não podia se candidatar como remanescente? Por favor, me dá a informação, eu sou presidente nacional e não sei o que se passa nas estaduais. Ela não podia se candidatar?

2. Ela só teve 274 votos.

Isso foi uma lição, inclusive eu falei pro pessoal: isso que aconteceu foi uma prova de que realmente fazer política não é fácil. As pessoas acham que conhecem meia dúzia de amigos e que vão se eleger presidente do Brasil. Só Bolsonaro.

3. Ela foi a terceira candidata que mais recebeu dinheiro do partido. Só ficou depois do sr. e do delegado Waldir [deputado federal reeleito e líder do PSL na Câmara]

E ela passou do limite financeiro?

4. Ela recebeu três dias antes da eleição…

Sim, mas isso é ilegal?

5. Ela disse que não conseguiu fazer muita campanha porque o dinheiro só chegou em cima da hora. Por que só chegou em cima da hora?

Ah, era uma dificuldade muito grande, porque o Brasil inteiro atrás de dinheiro para fazer campanha. Mas não sei como foi o dinheiro para ela, se veio da nacional ou veio da local, lá de Pernambuco.

6. Dos R$ 400 mil, ela gastou R$ 380 mil numa gráfica, que a gente foi procurar e não existe no endereço – Essa gráfica não existe?

Não acredito. Vou ver isso aqui agora. Deixa eu ver aqui, essa gráfica não existe, você está dizendo uma coisa… Um momentinho só, estou no outro telefone tentando falar…[Telefone toca, Bivar entra em uma ligação e pede para retornar depois]

Eu não consegui falar com o presidente do partido, o [Antônio de] Rueda, mas falei com o diretor-executivo do partido, ele diz que estranha isso, porque a gráfica tem tudo, tem tudo, então a informação que chegou a você, ela é capciosa.

7. Ela disse que não conseguiu fazer campanha.

Talvez ela tenha se expressado mal. Um partido de absoluta retidão é o nosso. Não há a menor possibilidade de ter nada de errado. Se tiver, no outro dia a cabeça está fora.

Ela teria sido candidata se não houvesse a necessidade de preenchimento de cota? – Tem que colocar 30% de mulheres, certo? O partido que não coloca, ele vai incorrer em uma ilicitude. Vários candidatos masculinos foram cortados, porque tem que ter 30% de mulher.

8. O sr. considera a regra errada?

Eu considero a regra errada. É isso que eu estou dizendo que vocês têm que bater. Você tem que ir pela vocação, tá certo? Tem que ir pela vocação. Se os homens preferem mais política do que a mulher, tá certo, paciência, é a vocação. Se você fizer uma eleição para bailarinos e colocar uma cota de 50% para homens, você ia perder belíssimas bailarinas, porque a vocação da mulher para bailarina é muito maior do que a de homem. Tem que ser aberto.

9. O sr. acha, então, que a questão de gênero é uma questão vocacional?

Eu acho. É uma questão de vocação, querida. Eu não sei na sua casa, se sua mãe gosta tanto de política quanto seu pai. Você tem que gostar porque é jornalista política. Mas se alguém fosse candidato na sua casa, estou aqui fazendo uma ilação, certamente seu pai seria candidato e sua mãe não seria. Ela tem outras preferências. Ela prefere ver o Jornal Nacional e criticar, do que entrar na vida partidária. Não é muito da mulher.

Eu não sou psicólogo, não. Mas eu sei isso. Agora, quando as mulheres entram, elas têm sucesso enorme. E muito bem. Tem a Bia Kicis, que é extraordinária. Tem a Joyce [Hasselmann], que é formidável. Tem a Carla Zambelli, que é formidável, a Aline… Tem mulheres que dão de 10 a zero nos homens, até em mim.

Mas não é a regra geral, tá certo? Você não pode fazer uma lei que submete o homem… Você não pode violentar o homem.

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