Últimas Notícias > Capa – Caderno 1 > Em resposta aos Estados Unidos e à França, Irã diz que não aceita mudar acordo nuclear

Pré-candidato à Presidência, o ex-ministro Henrique Meirelles disse que Ciro Gomes e Jair Bolsonaro oferecem risco de instabilidade ao País

O ex-titular da Fazenda admite que não gostaria de concorrer como vice de Temer. (Foto: Agência Brasil)

Em sua primeira entrevista à imprensa após deixar o cargo para tentar concorrer à Presidência da República, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles disse que a eleição deste ano traz risco de instabilidade do País e que candidatos “de esquerda” como Ciro Gomes (PDT) e de direita como Jair Bolsonaro (PSL) representam um desmonte da política de reformas do governo de Michel Temer.

Ele disse ao jornal “Folha de S. Paulo” estar convicto de que será o candidato do MDB ao Palácio do Planalto se Temer abdicar da vaga. Meirelles prevê que haverá instabilidade em 2018, com o que classifica de “risco da volta atrás” por parte de outros candidatos. “Há uma ameaça de desmonte, desestabilização da economia, pelos candidatos dos extremos que estão aí. Ciro Gomes está propondo várias coisas radicais nesse sentido, como interferir no câmbio para desvalorizar. Está criando instabilidade. Vai romper contratos na área de concessões de petróleo e energia, expropriar capital estrangeiro. É o que se temia do Lula em 2002, mas que não aconteceu.

Sobre Jair Bolsonaro, Henrique Meirelles avalia que o polêmico deputado federal está apresentando propostas liberais mas tem um histórico de votos a favor do intervencionismo econômico. “Como parlamentar, ele foi contra todas essas reformas”, relembra. “São candidatos que pretendem reverter parte da agenda de modernização do País implementada. São propostas que remetem ao que foi tentado no passado e fracassou”. Já sobre o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, Meirelles argumenta que ainda não pode avaliá-lo: “eu não sei o que o Joaquim Barbosa pensa de economia”.

E quando o assunto são as diferenças entre as plataformas políticas do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), o ex-ministro da Fazenda prefere se autoelogiar: “Eu sou o candidato do crescimento e do emprego e contra o atraso. O mercado funcionando bem é consequência de qualquer política econômica”. Alckmin foi governador de São Paulo e não tem um histórico de realizações de políticas nacionais.

Mercado

Já na hipótese de o emedebista se confirmar como cabeça-de-chapa, Meirelles admite que não gostaria de ser o vice. “No momento, não estou considerando essa possibilidade”, garante. “Se o presidente julgar que tem condições de ganhar a eleição, ele será candidato e certamente é um projeto ótimo. Isso vai ser um julgamento, uma avaliação que eu e ele vamos fazer juntos, em um primeiro momento, mas depois também conversando com o restante das lideranças do partido, para ver quem tem melhores condições.”

“Não sei qual seria o plano de governo e de campanha do presidente Temer”, frisou. “Sei o que ele está fazendo e eu concordo, afinal eu participo do governo. Mas eu sei qual é o meu projeto, que são três eixos: prosseguimento das reformas e da modernização da economia, um grande avanço na qualidade dos serviços públicos à população e a maneira como o País funciona, o que na economia olhamos sob o ponto de vista de produtividade.

Indagado sobre a sua recente troca do PSC pelo MDB, o ex-ministro acredita que o fato de o partido ter integrantes sob investigação não afetará a sua campanha: “Não acredito que afete em nada, pelo meu histórico pessoal. Eu não participei de nada ilícito e ilegal. É óbvio. Disputei uma eleição autofinanciada em 2002. Só. Em segundo lugar, isso é trabalho normal da Justiça. Não é só um partido. Todos os partidos estão sujeitos a terem pessoas sendo acusadas. A Justiça vai decidir se são inocentes ou não são”.

Meirelles também negou ser o “candidato do mercado”. Ele começou a montar sua equipe neste fim de semana e prepara a instalação de um gabinete na sede nacional do MDB, em Brasília, de onde vai despachar com privacidade. Sobre um suposto acordo com Temer antes de deixar o comando da Fazenda, ele foi reticente: “Não revelo minhas conversas com o presidente. Tenho a convicção de que, não sendo ele, o candidato do partido serei eu. Não há possibilidade de ser outro”.

Ele também respondeu a questionamentos sobre o trabalho que realizou para o conglomerado empresarial JBS/Friboi, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, que delataram o envolvimento de Michel Temer em corrupção: “O meu trabalho estava estritamente relacionado à criação e lançamento da plataforma digital do banco Original, sem qualquer relação com os outros negócios do grupo. Nunca tive conhecimento de atividade ilícita”.

Deixe seu comentário: