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Presidente da empresa aérea Azul diz que a Latam e a Gol se uniram para matar a Avianca e barrar sua empresa na ponte aérea

Companhia aérea Avianca passa por crise. (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

A crise pela qual passa a empresa Avianca rachou o setor aéreo e feriu o sonho da Azul de comprar a empresa em recuperação judicial para, enfim, disputar a rota Rio-São Paulo com as gigantes Latam e Gol. Para John Rodgerson, presidente da Azul, ao fazer uma proposta sincronizada para entrar na disputa pela compra da Avianca, Gol e Latam só queriam atrapalhar seus planos de competir no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

Em entrevista à publicação, Rodgerson afirmou que seus concorrentes fizeram tudo para barrar a entrada da Azul na ponte aérea, e que era triste a Avianca ter quebrado no meio do caminho. Que fizeram a proposta [para comprar ativos da Avianca] para resgatar milhares de empregos e investir, mas que os concorrentes foram lá para barrar, tentar dividi-la.

“Então levantamos mais dinheiro para aumentar o preço. E o que aconteceu? O fundo abutre Elliott [maior credor da Avianca] falou ‘não’. Tem 5.000 pessoas sem [receber] rescisão e a ponte aérea ficou mais concentrada. Quem vai pagar é o consumidor, não vai ser a Gol e a Latam, porque elas pagaram alguém para fechar a empresa”, afirmou. Confira outros trechos da entrevista.

1. A proposta de Gol e Latam para levar a Avianca em fatias foi costurada com o Elliott. A proposta de vocês também?

Falamos com o Elliott na época, mas o Elliott queria todo o dinheiro para si e não queria pagar a rescisão dos funcionários e os outros credores. A empresa precisava de dinheiro. O Elliott, não.

Para manter a empresa viva tem que colocar dinheiro, não pagar um credor abutre de Nova York. Ficou óbvio para nós que foi tudo feito para quebrar a empresa e fechar, porque não queriam mais a Avianca operando e não queriam a Azul na ponte aérea.

2. Houve esforço da Azul para acabar com a Avianca? Enquanto eles negociavam dívidas com arrendadores de aviões, a Azul tentou comprar esses aviões? Por que comprar justo desses arrendadores e não de qualquer outro no mundo?

É fato que estamos recebendo aeronaves que estavam sendo operadas pela Avianca. Mas quando fizemos a oferta para comprar a Avianca, liguei para todos os lessores e falei: “segura as aeronaves aqui, quero comprar a empresa, é melhor para mim e para vocês que as aeronaves fiquem.” Isso é documentado, falei para todos os lessores.

Logo depois que Gol e Latam entraram [na disputa pela Avianca], todas as aeronaves saíram. Você tem razão, tem aeronaves no mercado, mas se tiver aeronaves que vão ficar disponíveis no Brasil é mais fácil. É parte do que fazemos, mas o que falamos sempre é: “guarde as aeronaves aqui”. Para ter os ativos que a Avianca tinha, ela precisava continuar operando. O maior ativo que tiveram foram os slots [autorizações de pousos e decolagens].

3. Por que a morte da Avianca favorece Gol e Latam?

[Nos mercados] onde a Avianca está, Gol e Latam sempre estiveram. Quando a Avianca vai embora, só as ajuda. Em aeroportos como Brasília, Congonhas e Salvador, somos pequenos. Torcemos pela Avianca. Eu não concorria com a Avianca porque não operava nas mesmas rotas.

Se a Anac recebe [de volta] os slots [da Avianca] e dá um terço para cada um [concentra mais com Gol e Latam]. Ainda que somasse Azul e Avianca, meus concorrentes ficariam com mais de cem voos a mais em Congonhas. Eles queriam que a Azul ficasse com um voo às 7h e outro às 12h. Sabiam que as pessoas que pagam tarifas altas não iam voar comigo, porque não tenho multifrequência.

A Azul tem slots em Congonhas. De lá, voa para outros lugares. Não poderiam usá-los na ponte aérea?Tenho 13 slots. Tenho hubs em Confins e Porto Alegre. Preciso voar para meus hubs. Quem diz que tenho voos suficientes para voar a ponte aérea está enganando o povo. Claro que posso pegar um voo para voar Rio-SP. Mas tem que voar a cada hora, pelo menos.

Muitos dizem: “A Azul opera sozinha em muitos aeroportos”. É fato. Mas todos esses aeroportos são livres para outros entrarem. Quem reclama que estou sozinho em outros aeroportos é bem-vindo.

Sites especializados falaram recentemente que o ex-presidente da Avianca está trabalhando com o Elliott, credor da empresa, que nega. O sr. viu? Reclamou? Isso é para a Justiça olhar. Não tem a ver com a gente. Vi, mas não sou juiz.

4. Por que vocês saíram da Abear (associação do setor)?

Temos interesses diferentes. Nossos concorrentes querem que Congonhas continue fechado só para eles. Nós queremos que abra. É hora de termos nossa própria conversa com o governo para mostrar o que estamos fazendo aqui. Não preciso de um terceiro para falar em meu nome.

Com tudo o que fizemos pelo Brasil, temos crédito para abrir qualquer porta em Brasília. Nossos concorrentes são alinhados contra os interesses da Azul.

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