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Preso pela Polícia Federal, suspeito de integrar quadrilha de hackers tem conta milionária vinculada ao seu nome

Os investigadores suspeitam que Thiago tenha atuado como uma espécie de professor do hacker Walter Delgatti (foto). (Foto: Reprodução/Facebook)

A PF (Polícia Federal) encontrou uma cifra milionária em uma conta vinculada ao programador de computadores Thiago Eliezer Martins, preso no sábado (21) na 2ª fase da Operação Spoofing. Segundo fontes da PF, a conta estaria em nome de um laranja e foi descoberta antes da prisão do programador. Os investigadores suspeitam que Thiago tenha atuado como uma espécie de professor do hacker Walter Delgatti.

Delgatti confirmou ter invadido celulares de autoridades como o ministro Sérgio Moro e o procurador da Lava-Jato de Curitiba Deltan Dallagnol. A PF investiga se Thiago tinha ligação direta com as invasões realizadas por Delgatti. Os investigadores querem saber se o programador de computadores orientou Delgatti ou se atuou diretamente nessas invasões de aparelhos de autoridades.

Declaração 

No início do mês, a Polícia Federal acredita ter encontrado um indício que pode ajudar a desvendar a principal dúvida que ainda paira sobre os suspeitos de hackear as principais autoridades do País: se eles venderam as mensagens que obtiveram de forma ilegal. Em uma conversa trocada via aplicativo, Walter Delgatti Neto, que confessou chefiar o grupo, diz a Danilo Cristiano Marques, seu suposto “testa de ferro”, que “acabou a tempestade”, “veio a bonança”.

A conversa consta em um relatório de 13 páginas em que a PF fala sobre a necessidade da manutenção das prisões de Delgatti e Gustavo Henrique Santos, o DJ de Araraquara também suspeito de participar dos crimes. No relatório, ao qual o Estado teve acesso, os investigadores dizem que a troca de mensagens ocorreu em 10 de abril de 2019, dois meses antes de conversas entre o ministro Sérgio Moro, e de procuradores da Lava-Jato, serem divulgadas.

São conversas que, de acordo com a PF, “sugerem algum feito”, em uma sinalização de que Delgatti poderia estar comemorando a venda das mensagens. No documento, a polícia diz ainda que Danilo e Suelen Priscila de Oliveira, namorada de Gustavo, não oferecem mais riscos para a obtenção de provas, podendo, assim, ser soltos.

Os quatro suspeitos foram presos pela PF no dia 23 de julho, na investigação sobre a invasão de telefones celulares de autoridades, incluindo o do presidente da República, Jair Bolsonaro, o de Moro e o do procurador da República e coordenador da força-tarefa da Operação Lava-Jato no Paraná, Deltan Dallagnol.

Delgatti afirmou em depoimento à PF ter repassado o conteúdo das supostas mensagens ao jornalista Glenn Greenwald, fundador do site The Intercept Brasil, que tem divulgado reportagens com base nas conversas desde junho. O hacker disse que não cobrou contrapartidas financeiras para repassar os dados.