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O primeiro-ministro de Israel desistiu de participar da posse de Bolsonaro, mas nesta sexta-feira almoçará com ele no Rio de Janeiro

Netanyahu enfrenta uma crise política em seu país. (Foto: Reprodução)

Ocupado em uma crise política interna, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, não participará mais da posse presidencial de Jair Bolsonaro (PSL), na tarde da próxima terça-feira, 1º de janeiro. Ele era esperado em Brasília mas precisou encurtar a viagem ao Brasil depois de sua coalizão decidir antecipar as eleições no país judeu.

Ainda assim, a nova agenda prevê que o premiê aterrisse no Rio de Janeiro na manhã desta sexta-feira e almoce com o futuro colega no Forte de Copacabana, na Zona Sul da capital fluminense. Em postagem no Twitter, Bolsonaro confirmou o encontro.

A mudança na agenda do premier partiu da avaliação de que o líder israelense não poderia ficar uma semana distante de Israel, em meio à abertura do processo eleitoral no país. A decisão foi tomada nesta terça-feira, um dia depois de a coalizão de governo se reunir e resolver, de forma unânime, dissolver o Parlamento e convocar o pleito para abril. As eleições legislativas israelenses estavam previstas para novembro de 2019.

Neste contexto, as eleições primárias do Likud, o partido de Netanyahu, ocorrem na primeira semana de fevereiro. A proximidade do processo eleitoral pesou na decisão de encurtar a viagem ao Brasil, de onde o premier deve ir embora no domingo, dia 30, sem pisar em Brasília. O líder israelense havia confirmado presença na posse de Bolsonaro em 29 de novembro. Foi a primeira — e uma das mais altas — autoridade internacional a aceitar o convite do governo eleito.

Por ocorrer tradicionalmente no primeiro dia de janeiro, a posse de presidentes brasileiros não costuma contar com a presença de líderes internacionais. O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, representará Donald Trump no evento.

Estados Unidos e Israel estão na linha de frente da política externa idealizada por Bolsonaro, visto com hesitação por parte da comunidade internacional após anunciar mudanças em posturas tradicionais da diplomacia brasileira: a equipe de transição confirmou a intenção de transferir a embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém, a retirada do País do pacto global de migração da ONU (Organização das Nações Unidas) e as reiteradas críticas ao acordo climático de Paris.

Na terça-feira, Bolsonaro anunciou que o futuro ministro de Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, visitará Israel em janeiro para negociar parceiras na área.

Situação israelense

Na véspera de Natal, o porta-voz do primeiro-ministro anunciou que Israel teria as eleições antecipadas. Integrantes da coalizão de governo tomaram a decisão com o senso de “responsabilidade em termos orçamentários”, segundo o porta-voz, e em meio a uma crise referente à lei de alistamento militar obrigatório de judeus ultraortodoxos.

À frente de Tel Aviv pelo quarto mandato, o premier de 69 anos governava o país com frágil maioria no Parlamento. Depois da renúncia do então ministro da Defesa Avigdor Lieberman, por discordar da trégua estabelecida na Faixa de Gaza com grupos palestinos, há um mês, a coalizão ficou com 61 das 120 cadeiras do Knesset.

Conforme o jornal Haaretz, o presidente da coalizão, David Amsalem, reforçou na reunião de aliados ser difícil para o governo aprovar leis com a atual composição do Parlamento. “Se é tão difícil, precisamos de eleições”, teria respondido Netanyahu.

Uma série de investigações por suposta corrupção de Netanyahu, que nega qualquer irregularidade, havia alimentado especulações sobre a possibilidade de o premier buscar uma demonstração pública de confiança nas urnas. Ele aguarda decisão do procurador-geral do país, que avalia se acolhe as recomendações da polícia e denuncia criminalmente o político. A mídia israelense presume que o procurador pode adiar a decisão para evitar influenciar o pleito de abril.

Recentes pesquisas de opinião revelam que o líder judeu ainda goza de grande popularidade em Israel. Em recentes discursos, Netanyahu focou no que considera serem conquistas no enfrentamento de desafios de segurança postos por combatentes iranianos e palestinos, no fortalecimento da economia nacional e na ponte diplomática com Estados árabes que partilham das mesmas preocupações de Tel Aviv sobre o Irã.