Últimas Notícias > Notícias > Brasil > Imposto de Renda 2018: veja os itens que as pessoas mais esquecem de declarar

Profilaxia pré-exposição, adotada pelo SUS, é uma importante arma de prevenção contra aids

Participantes da palestra organizada pela amfAR comemoram a adoção da chamada PrEP. (Foto: Alexandre Schneider/Getty Images/amfAR)

A FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) sediou a palestra “Pesquisa da Cura do HIV: Uma Conversa com a Comunidade”, organizada pela amfAR, Fundação para Pesquisa da AIDS. O evento ocorreu em conjunto com o 13º Curso Avançado de Patogênese do HIV.

Um dos pontos destacados no encontro foi a adoção pelo SUS (Sistema Único de Saúde) da  PrEP (profilaxia pré-exposição). Trata-se de mais um importante recurso (além do  preservativo) para  prevenção da aids.

De uso contínuo a PrEP, é preciso tomar o comprimido diariamente para ficar protegido do HIV, sendo que a proteção se inicia a partir do 7º dia para exposição por relação anal e a partir do 20º dia para exposição por relação vaginal. A PrEP só será indicada após testagem do paciente para HIV, uma vez que é contraindicada para pessoas já infectadas pelo vírus.

Debate

Pesquisadores nacionais e internacionais, estudantes de medicina, ativistas e membros da comunidade discutiram o avanço das pesquisas para a cura da doença.

“Nós queremos saber o que vocês pensam sobre as pesquisas da cura do HIV. Qual a importância que a cura desta doença teria para a sociedade? ”, indagou Rowena Johnston, vice-presidente e diretora de pesquisas da amfAR, na abertura do debate realizado no anfiteatro da FMUSP. Com um resumo das pesquisas até o momento, Rowena apresentou algumas das descobertas e os desafios enfrentados no avanço dos estudos clínicos para encontrar a cura.

PrEP (profilaxia pré-exposição)

Os participantes comemoraram, de um lado, a possibilidade de se prevenir a infecção com estratégias adicionais ao uso de preservativos, como a PrEP (profilaxia pré-exposição), adotada pelo SUS (Sistema Único de Saúde) a partir deste ano, e de outro lado, lamentaram o estigma da doença e a dupla discriminação sofrida pelos homossexuais soropositivos.

“O comportamento sexual não pode servir de desculpa para não se continuar buscando a cura da Aids,” enfatiza a Dra. Johnston. A afirmação foi endossada pelos pesquisadores presentes no debate, como o Dr. Brad Jones, professor da Universidade George Washington: “nosso grupo de pesquisadores enxergam o desafio de cura do HIV como um ideal científico e social.”

A discussão contou, ainda, com os depoimentos do professor Esper Kallas, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Alergia e Imunopatologia da FMUSP e pesquisador na área de HIV/Aids, e de outros pesquisadores internacionais, incluindo Steven Deeks, professor da Universidade de Medicina da Califórnia, São Francisco, e e Lishomwa Ndhlovu, professor da Faculdade John A. Burns da Universidade de Medicina do Hawaii.

Steven Deeks, que também é um dos pesquisadores do Instituto amfAR para a Pesquisa da Cura do HIV, acredita que pacientes soropositivos querem a cura completa da Aids para que eles possam ter uma vida normal, sem o estigma de ser portador do vírus do HIV. “Esse é o objetivo, mas será que é viável?”, questiona Deeks. “Eu sou um grande fã de começar com o que é possível. Por isso, acredito que primeiro precisamos chegar na remissão, e no caminho até lá, descobrir a cura, pois um está ligado ao outro”, diz o especialista.

Brasil tem uma média de 40 mil novos casos a cada ano

Cerca de 37 milhões de pessoas vivem com o HIV hoje, no mundo. De acordo com o Ministério da Saúde, foram identificadas 882 mil pessoas infectadas com o vírus no período de 1980 a 2017, no Brasil. Nos últimos cinco anos, o País tem registrado uma média de 40 mil novos casos anualmente.

Organizações sem fins lucrativos

A amfAR, Fundação para a Pesquisa da AIDS, é uma das principais organizações sem fins lucrativos do mundo dedicadas ao apoio de pesquisa da AIDS, prevenção do HIV, educação para o tratamento e defesa de políticas públicas relacionadas à AIDS. Desde 1985, a amfAR investiu mais de US$ 517 milhões em seus programas e concedeu mais de 3.300 subsídios para equipes de pesquisa em todo o mundo.

Entre muitas realizações, a amfAR apoiou os primeiros estudos que contribuíram para o desenvolvimento de várias classes de medicamentos anti-HIV que permitem às pessoas com HIV/AIDS a terem vidas mais longas e mais saudáveis. A amfAR também apoiou a investigação preliminar que levou ao uso de drogas anti-retrovirais para prevenir a transmissão do HIV entre mãe e filho. Como resultado, essa transmissão foi praticamente eliminada em muitas partes do mundo.

Uma das primeiras e mais respeitadas instituições defensoras das pessoas que vivem com HIV/AIDS, a amfAR liderou os esforços fundamentais para assegurar a aprovação da principal legislação que formou a base da resposta dos EUA à AIDS por mais de duas décadas, incluindo a lei Ryan White CARE.

Cura até o final de 2020

A Contagem Regressiva para a Cura da AIDS lançada pela amfAR é uma iniciativa de investigação destinada a desenvolver a base científica para a cura até o final de 2020. Lançada em fevereiro de 2014,  objetiva intensificar o programa de pesquisa focado na cura do HIV por meio de investimentos de US$ 100 milhões. Em apenas 24 meses, a Contagem Regressiva para a Cura da AIDS da amfAR apoiou 139 pesquisadores principais e equipes em 16 Estados dos Estados Unidos e em outros 9 países.

Deixe seu comentário: