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Qual o segredo dos superidosos que esbanjam saúde com mais de 80 anos

Irene Obera, 84 anos, é a mulher mais rápida de sua idade no mundo e se mantém em movimento o tempo inteiro. (Foto: BBC)

Como você será aos 80 anos? Estará vivendo de maneira independente, será saudável de corpo e mente, com um círculo social grande? Se conseguir isso, você será um dos superidosos. É uma aspiração válida, mas a realidade é muito diferente para a maioria das pessoas. As informações são da BBC.

Apesar de estarmos vivendo mais tempo, um grande número desses anos extra será passado enfrentando problemas de saúde – em geral, sofrendo de doenças crônicas.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), até 2060 a população com 80 anos ou mais no Brasil deve somar 19 milhões de pessoas. A média de expectativa de vida atual no país é superior aos 75 anos.

O órgão diz que o crescimento da proporção de idosos no Brasil nas próximas décadas, se mantido o ritmo atual, será mais de duas vezes mais rápido que a média mundial.

O envelhecimento da população é uma preocupação global – em todo o mundo, o número de pessoas com 65 anos ou mais deve quase triplicar até 2050, chegando a 1,5 bilhão.

Aos 84 anos, Irene Obera é a mulher mais rápida de sua idade no mundo. Ela vem quebrando recordes mundiais do atletismo Master há quatro décadas. Ela tem o porte e o físico de uma pessoa no auge da saúde e faz parecer que a idade cronológica é irrelevante.

Sua filosofia é simples: “Um derrotista nunca vence e um vencedor nunca desiste – e eu quero ser uma vencedora”. Assim como outros superidosos, Irene mantém uma atitude positiva. Ela é conectada socialmente e trabalha como voluntária no seu bairro.

Envelhecer bem tem a ver como exercitar a mente, além do corpo. Acredita-se que um em cada três casos de demência poderia ser prevenido se mais pessoas se preocupassem com sua saúde mental ao longo da vida.

Em uma aula de literatura francesa na Universidade de Berkeley, na Califórnia (EUA), todos os alunos tinham cerca de 70 anos, e mantinham a mesma curiosidade e atitude positiva que parece ser típica dos superidosos.

“Eu adoro literatura e língua francesa, mas também estou aqui para exercitar a mente – minha mãe teve o mal de Alzheimer”, diz Pamela Blair, uma psicóloga aposentada de 76 anos.

A ideia de que o envelhecimento pode ser tratado está ganhando força na comunidade científica, em parte por causa do trabalho dos pesquisadores no Instituto Buck para a Pesquisa sobre Envelhecimento, que fica próximo ao Vale do Silício, na Califórnia.

O local tem quase 300 cientistas, espalhado por 18 laboratórios, que investigam a conexão entre o envelhecimento e o aparecimento de doenças crônicas.

O que o câncer, as doenças cardíacas e vasculares, a demência e a osteoartrite têm em comum? O fato de que as chances de ter qualquer uma delas aumenta com a idade.

No lobby da Biblioteca Pública de Nova York (EUA), é preciso pedir à guia voluntária de 95 anos Hilda Jaffe para andar mais devagar. Assim como outros superidosos, ela manteve seu gosto pela vida e por aprender novas coisas.

Todos os dias, ela faz as palavras cruzadas do jornal The New York Times. Ela pertence a dois clubes de livro, vai à ópera, a concertos de música clássica e ao teatro. Além disso, faz tudo a pé.

Questionada sobre o segredo de sua vida longa e saudável, ela diz: “Escolha seus pais. Meu pai morreu aos 88 anos, minha mãe aos 93. Deve ser genética”. Amostras do DNA de Hilda estão armazenadas em um refrigerador na Faculdade de Medicina Albert Einstein, no Bronx (Nova York). Ela está entre as 600 pessoas acima de 90 anos que fazem parte de um projeto que tenta descobrir os genes da longevidade.

O médico Nir Barzilai, diretor do Instituto do Envelhecimento da Faculdade Albert Einstein, diz que o grupo surpreende por causa das vidas pouco saudáveis que viveram.

“Quase 50% deles estava acima do peso. Muitos eram fumantes, não se exercitavam e tinham dietas pouco saudáveis. Eles não faziam o que seus médicos mandavam”, afirma.

Sua pesquisa descobriu diversas variantes genéticas entre o grupo, que parece conferir proteção contra as doenças do envelhecimento.

Segundo Barzilai, apenas uma em cada 10 mil pessoas tem a sorte de nascer com esses genes protetores superidosos. Mas, assim como Campisi, ele acha que a ciência pode ajudar a todos. Algumas empresas farmacêuticas já investigam quais desses traços genéticos podem ser usados para criar drogas antienvelhecimento.