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31 mil pessoas saem às ruas e mais de 700 são detidas em protestos na França

A polícia atirou bombas de gás lacrimogêneo em manifestantes na Champs-Elysées, em Paris. (Foto: Reprodução)

As manifestações dos coletes amarelos neste sábado (8) em Paris reuniram mais de 8 mil pessoas pela manhã, segundo as autoridades. Em toda a França, 31 mil pessoas foram às ruas protestas. Os protestos deram lugar a
novos incidentes no início da tarde.

O principal ponto de atrito foram as grandes avenidas, nas quais, pouco depois das 13h (horário local), grupos de manifestantes formaram barricadas com objetos das ruas e atearam fogo.

Os agentes utilizaram veículos com mangueiras para apagar as chamas e lançaram gás lacrimogêneo para que os manifestantes recuassem. Ao mesmo tempo, na avenida Champs Élysées, alguns coletes amarelos incendiaram objetos, e a polícia respondeu com detenções.

O secretário de Estado de Interior, Laurent Núñez, explicou em entrevista ao canal “France 2” que já foram contabilizadas mais de 700 detenções em todo o país.

Pontos turísticos fechados

A Torre Eiffel e outros pontos turísticos do centro de Paris estão fechados por conta das manifestações. Lojas também não abriram as portas por medo de saques que aconteceram em outros dias de protesto.

As áreas mais sensíveis por serem pontos de concentração dos “coletes amarelos”, como o bairro da Champs-Elysées, as praças da República e da Bastilha, foram fechadas para o tráfego desde o início da manhã.

Grandes museus, como o Louvre, assim como lojas de departamento, diversos mercados e estabelecimentos públicos também não estão funcionando, além de aproximadamente 40 estações de trem e metrô.

Cerca de 89 mil policiais foram mobilizados em todo o país. Desses, 8 mil estão alocados em Paris, para evitar as cenas da última semana, que contou com carros incendiados e com o Arco do Triunfo pixado com frases contra o presidente Emmanuel Macron.

Segundo a agência EFE, antes dos protestos começarem neste sábado, as autoridades da França detiveram mais de 270 pessoas para impedir preventivamente incidentes violentos durante as manifestações.

As detenções foram sobretudo de grupos suscetíveis em protagonizar atos de violência ou por possuírem objetos que possam ser utilizados para esse fim, mas eles não devem necessariamente ficar presos após feitas as inspeções.

O ministro do Interior, Christophe Castaner, justificou que as prisões foram para impedir que se repetissem os distúrbios ocorridos há uma semana: “Tivemos que dar uma resposta forte”.

Castaner, em entrevista ao canal “BFMTV”, pediu aos “coletes amarelos” que querem fazer valer suas reivindicações “que não se misturem” com os manifestantes violentos, pois “a violência nunca será uma forma de protesto”.

Ele também disse que “o governo estendeu a mão” com a disponibilidade para o diálogo e medidas como a suspensão do aumentos dos impostos sobre o combustível que estava programado para janeiro: “Agora é preciso sentar à mesa e discutir”.

O movimento

Os protestos começaram em 17 de novembro em oposição ao aumento dos impostos sobre os combustíveis, mas, desde então, se tornaram um amplo movimento contra a política econômica e social do presidente Emmanuel Macron.

O governo, encurralado pelas ruas, suspendeu o imposto sobre combustíveis e congelou os preços da eletricidade e do gás durante o inverno.

No entanto, para os “coletes amarelos”, que ampliaram suas reivindicações, essas concessões foram insuficientes. Contam também com o apoio da maioria dos franceses (68%, segundo a última pesquisa).

Muitos dos “coletes amarelos”, chamados assim pelo adereço fluorescente de segurança que usam, se manifestam pacificamente, mas alguns se radicalizaram. Membros de grupos de extrema direita e de extrema esquerda aproveitam os protestos para enfrentar a polícia, às vezes de forma brutal.

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