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Quem dita as regras na criptografia não é o WhatsApp, é a matemática

A criptografia do WhatsApp não é do WhatsApp. (Foto: Reprodução)

O Brasil desperdiça tempo, dinheiro e esforço discutindo a “criptografia do WhatsApp”. É como falar em desarmamento de um único calibre de arma ou de um único fabricante, ignorando tantos outros modelos de igual ou maior poder de fogo. A criptografia exige, no máximo, algum conhecimento em matemática. Portanto, quem dita as regras desse jogo é a matemática, não o WhatsApp, como sugeriu o delegado da Polícia Federal Caio Porto Ferreira.

A criptografia, se pode ser chamada de arma, é uma arma que pode ser projetada, fabricada e usada com perfeição por uma só pessoa com um notebook.

Portanto, não é questão de querer ajudar criminosos. Muito pelo contrário. A questão é encarar o problema de maneira realista e criar dispositivos legais para contornar os desafios impostos da criptografia. Se não podemos negociar com a matemática, temos que pensar em alternativas – em mais operações com agentes infiltrados, mais inteligência, quem sabe até em software espião de celular. Temos que equipar a polícia com as ferramentas adequadas para o mundo digital, e não fingir que o digital não é como ele é.

Do contrário, o que o Brasil pretende fazer com outros serviços que oferecem criptografia? Proibir todos? Se não proibir, por que um criminoso não usaria esses outros serviços em vez do WhatsApp? E, ainda que seja feito isso, o que impede os criminosos de criarem sua própria criptografia, seja para usar ela por cima do próprio WhatsApp ou em um aplicativo próprio?

Isso não é hipotético. Diversos vírus de computador, por exemplo, operam com criptografia própria em suas comunicações. As ferramentas de ataque cibernético atribuídas à Agência de Segurança Nacional dos EUA, por exemplo, utilizam diversos mecanismos avançados desse tipo. Se um dia a Polícia Federal quiser investigar um ataque desses, levar o caso ao STF não vai ajudar em nada.