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Quem “proíbe” fantasias de carnaval ignora o verdadeiro sentido da festa

Paolla Oliveira se fantasiou de índia para o Carnaval. (Foto: Reprodução/Instagram)

Paolla Oliveira postou uma foto em seu perfil no Instagram onde aparece fantasiada de índia, pronta para ir a um baile de carnaval no Rio de Janeiro. A postagem não deixava de ser uma ação de merchandising: no curto texto assinado pela atriz, há uma menção à marca de maquiagem responsável pelo “cereja intenso” de seus lábios.

O anunciante deve estar contente, pois o post de Paolla rendeu a primeira polêmica deste carnaval. Já tem mais de meio milhão de likes e quase seis mil comentários no momento em que escrevo este texto. A razão é prosaica: fantasias de índio foram “proibidas” por uma certa garotada que não faz a menor ideia do que seja carnaval.

Não importa que a caracterização de Paolla remeta à tribo Sioux, da América do Norte, hoje bastante integrada à sociedade americana e faturando alto com seus cassinos. A atriz cometeu o pecado da apropriação cultural, ao usar um traje que não tem a ver com suas raízes.

Os sensores carnavalescos também dizem que as fantasias “estereotipam” as manifestações culturais alheias. É claro que estereotipam: fantasia de carnaval não é peça de museu etnográfico. É um disfarce, uma brincadeira, uma tiração de sarro e até, pode ser, uma crítica contundente.

São feitas para chocar, para atrair pretendentes, para facilitar a empolgação. Nunca, jamais, em tempo algum, foram pensadas para dar “representatividade” a qualquer minoria. Carnaval é para outras coisas. É para o quê, então? É para, antes de mais nada, romper as regras do dia a dia. As fantasias servem para a pessoa se vestir daquilo que não é na vida real, ainda que por apenas poucas horas.

Favelados viram nobres franceses; anônimos viram celebridades; homens viram mulheres. Mas tem quem ache que homem-vestido-de-mulher, a mais tradicional e popular fantasia de todo o carnaval brasileiro, seja uma ofensa imperdoável às mulheres, tantos as cis como as trans.

Quem pensa assim não percebe que esses homens travestidos estão, antes de mais nada, zoando de si próprios: a maioria fica grotesca de saia e salto alto, e é assim mesmo que queria ficar.Também há, pelo menos em alguns, o desejo fugidio de se livrar da prisão da masculinidade. Ainda que por apenas algumas horas.

O carnaval trouxe para o mundo cristão os antigos festivais pagãos onde o sexo e a bebida corriam soltos. Consolidou-se na Idade Média como o último dia em que se podia comer carne antes da quaresma, o período de 47 dias que antecede a Páscoa. E firmou-se como a festa onde quase tudo é permitido, com as máscaras protegendo a identidade dos foliões.

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