Últimas Notícias > CAD1 > O governador gaúcho apresentou ao ministro da Economia o plano de ajuste para adesão ao programa de socorro aos Estados

Reconhecido quando abastecia o carro em um posto de combustíveis, um ex-prefeito de Cruz Alta foi preso no Litoral Norte

Juliano da Silva, 44 anos, era considerado foragido. (Foto: Arquivo/Prefeitura de Cruz Alta)

No final da tarde dessa segunda-feira, a Polícia Civil capturou em Capão da Canoa (Litoral Norte) prendeu Juliano da Silva, 44 anos, ex-prefeito de Cruz Alta. Ele é acusado por crimes como desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro durante o período em que comandou o município de aproximadamente 62 mil habitantes no Noroeste gaúcho (2013-2016).

Alvo de um mandado de prisão preventiva emitido no início de abril pelo TJ (Tribunal de Justiça) do Rio Grande do Sul, Juliano teve negado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) um pedido de habeas corpus. A captura ocorreu quando um policial o reconheceu em um posto de combustíveis, durante tentativa de abastecimento do veículo.

Informações preliminares indicam que agentes das duas cidades vinham atuando em conjunto para localizar o ex-prefeito, a partir de informações de que ele conta com endereços na cidade litorânea e região. Após exames de corpo de delito, ele foi encaminhamento ao sistema prisional.

Conforme o MP (Ministério Público), quando na chefia do Executivo de Cruz Alta Juliano da Silva se apropriou de valores e rendas de natureza pública aos quais tinha acesso, desviando os valores em proveito próprio. O resultado foi um aumento patrimonial de 229%, incompatível com a sua renda declarada entre 2012 e 2015.

Além disso, ele é acusado de ocultar e dissimular a origem, localização, disposição, movimentação, destino e propriedade de bens e valores provenientes direta ou indiretamente de infração penal, por meio da prática da lavagem de dinheiro. A ocultação do patrimônio obtido foi feita por meio da aquisição de bens em nome de laranjas, incluindo dois veículos, 12 cavalos de raça e outros itens.

Cemitério

Em setembro de 2017, Juliano e outras três pessoas tiveram os bens bloqueados devido a supostas irregularidades em um projeto-de-lei apresentado por ele, também durante o mandato como prefeito. O grupo incluía o ex-vice-prefeito Moacir Marchesan, o vereador Joca Bonaldi e o proprietário do cemitério Jardim do Sossego, em Cruz Alta.

A proposta previa que a administração arcaria com os custos de sepultamentos dos corpos de indivíduos cujas famílias não tinham recursos para cobrir esse tipo de despesa. Mas o serviço, que deveria ser gratuito, estava sendo cobrado.

O esquema remonta a 1995, quando a prefeitura concedeu ao cemitério os direitos de explorar os serviços. Em contrapartida, parte da área seria usada para sepultamentos gratuitos pelo município. Em 2013, primeiro ano de sua gestão, Juliano apresentou o projeto prevendo que o município faria o uso da área prometida em 1995, pagando R$ 3.656 por enterro.

O MP não demorou a descobrir a irregularidade e ainda constatou outra irregularidade: em vez de lápides de granito com inscrições em metal (conforme previsto no contrato), foi encontrado outro tipo de material e o nome dos mortos eram pintados à mão.

“Dentro desses R$ 3.656 analisamos que diversos itens não estavam sendo prestados ou estavam sendo superfaturados”, salientou uma promotora. Também se descobriu que o escritório de cemitério era a sede de uma empresa da esposa de um vereador, no segmento de varejo de materiais de construção e que tem como sócio o ex-vice-prefeito e o vereador envolvido.

(Marcello Campos)