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Os líderes de partidos encontraram Bolsonaro e defenderam a reforma da Previdência, mas evitaram fechar apoio. O presidente montará grupos para ouvir os seus aliados

O presidente da República abriu a sua agenda para receber líderes partidários. (Foto: Marcos Corrêa/PR)

Depois de reuniões com cinco presidentes de partidos nesta quinta-feira (4), o presidente Jair Bolsonaro conseguiu diminuir a tensão, mas não conseguiu dos líderes partidários a promessa de apoio incondicional à proposta de reforma da Previdência e nem aumentar a base de apoio do governo.

Ao deixar o encontro com Bolsonaro, os presidentes defenderam a reforma, mas apontaram pontos que desejam ver alterados — em especial as já conhecidas questões das alterações no Benefício de Prestação Continuada e na aposentadoria rural — mas não rechaçaram a ideia de fechar questão sobre a proposta.

“PSDB tem uma postura de independência em relação ao governo, não há nenhum tipo de troca, não participaremos do governo, não aceitamos cargos no governo”, disse o presidente do PSDB, Geraldo Alckmin, ao sair do encontro no Palácio do Planalto.

O ex-governador de São Paulo disse ainda que o partido irá defender a reforma, mas não irá fechar questão. Votará pela proposta desde que alguns ajustes sejam feitos. Além do BPC e da aposentadoria rural, Alckmin afirmou que o PSDB não dará seu voto para aprovar nenhum benefício que fique abaixo do salário mínimo.

“O PSDB tem compromisso com a reforma, mas dentro desses parâmetros”, afirmou. Segundo presidente partidário a ser recebido por Bolsonaro, Gilberto Kassab, do PSD, também disse que o partido não fechará questão, em respeito à posição pessoal de seus parlamentares e à tradição da sigla, mas apoiará o texto porque a reforma faz parte do programa do PSD.

“O partido tem uma posição muito clara com a sua independência em relação ao governo, essa posição continuará”, disse Kassab. O líder do partido no Senado, Otto Alencar (BA), explicou que o PSD também espera mudanças em relação ao BPC, aposentadoria rural e em relação a outra questão, a capitalização, ponto-chave da reforma para a equipe econômica liderada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

“A capitalização tem que ser um piso, e não pode ter capitalização sem contribuição patronal, não tem como”, defendeu o senador. O DEM, que hoje já tem três ministros no governo — Casa Civil, Saúde e Agricultura —, mesmo sem uma adesão formal, foi o que chegou mais perto de admitir que poderá fazer parte da base, posição defendida pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que participou de um almoço com Bolsonaro e o presidente do partido, ACM Neto.

“Ser base, formalmente ou não, é algo que pode acontecer, com absoluta naturalidade, no momento que houver uma deliberação da Executiva do partido. Mas eu entendo que a preocupação maior tanto do Democratas como do presidente Jair Bolsonaro não está na formalidade, em dizer ‘é base ou não é base’, e sim em garantir que esse diálogo possa ser produtivo e facilite o andamento da agenda de reformas”, afirmou Neto.

Os presidentes foram unânimes em dizer que Bolsonaro não fez convites formais de adesão. As conversas se concentraram mais sobre o apoio à reforma da Previdência, mas portas foram abertas, disseram os líderes partidários.

A líder do governo no Congresso, deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), afirma que não é um problema nesse momento nos partidos não fazerem parte da base do governo, mas sim o compromisso com a reforma da Previdência.

“Temos mais tempo para fechamento da base em outras questões. Temos que fazer duas contas. Nesse momento temos que fazer duas contas: uma que é a aprovação da nova Previdência, e aí vale qualquer partido, inclusive da oposição. E uma outra conta é a formação de uma base para aprovação de outras questões”, disse a líder do governo.

De acordo com informações do colunista Valdo Cruz, o presidente do PRB, deputado Marcos Pereira (SP), disse nesta quinta que o presidente Jair Bolsonaro vai criar dois conselhos políticos para dialogar com partidos da base ou que estejam dispostos a votar temas de interesse do governo.

Pereira foi um dos presidentes de partido que se reuniram com Bolsonaro nesta quinta, no Palácio do Planalto. De acordo com ele, Bolsonaro pretende se reunir com os conselhos todo mês. Um dos conselhos será formado por Bolsonaro, pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e presidentes de partidos. O outro terá Bolsonaro, Onyx e líderes dos partidos no Congresso. 

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