Últimas Notícias > Notícias > Brasil > Entenda como funciona o Coaf, o órgão que pôs um ex-assessor de Flávio Bolsonaro sob suspeita

Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras também cita ex-servidora de Bolsonaro

O ex-assessor parlamentar e policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz em foto ao lado de Jair Bolsonaro. Fabrício é pai Nathalia Melo de Queiroz. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

O relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) que cita movimentação financeira atípica de um ex-motorista do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) menciona também uma ex-funcionária do presidente eleito Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados. Nathalia Melo de Queiroz, de 29 anos, aparece como uma das beneficiárias de recursos movimentados por Fabrício José Carlos de Queiroz, seu pai e ex-motorista de Flávio Bolsonaro. O caso foi revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Ela foi funcionária do gabinete de Jair Bolsonaro entre dezembro de 2016 e outubro de 2018. Antes, estava lotada, assim como o pai, no gabinete do deputado Flávio Bolsonaro na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

O MPF (Ministério Público Federal) afirmou, em nota, que a presença dos nomes não significa o cometimento de ato ilícito. O documento integra os anexos do pedido de prisão de dez deputados estaduais na Operação Furna da Onça. A Procuradoria pediu um relatório sobre os funcionários da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro com registro de movimentação financeira atípica.

Flávio Bolsonaro e seus ex-assessores não são alvo de investigação, mas o PT pediu a abertura de inquérito contra o senador eleito. O líder do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta (RS), ingressou na procuradoria-geral da República com representação criminal pedindo para que seja instaurado procedimento de investigação para apurar “possíveis ilícitos criminais e administrativos” envolvendo o deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e a futura primeira-dama da República, Michelle Bolsonaro”

O relatório identificou que o ex-motorista de Flávio movimentou R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. O senador eleito neste ano foi candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro em 2016.

Fabrício Queiroz trabalhou no gabinete de Flávio Bolsonaro até outubro — mesma data de saída de Nathalia do gabinete do presidente eleito. Segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, as movimentações financeiras são “incompatíveis com o patrimônio, a atividade econômica ou ocupação profissional” do ex-assessor.

Os registros mostram que Michele Bolsonaro, mulher do presidente eleito, recebeu R$ 24 mil. Não há detalhes sobre o volume dos repasses a Nathalia. A ex-assessora não se manifestou ainda sobre o caso.

O senador eleito Flávio Bolsonaro usou na quinta-feira o Twitter para defender o ex-funcionário. “Fabricio Queiroz trabalhou comigo por mais de dez anos e sempre foi da minha confiança”, escreveu o filho do presidente eleito. “Nunca soube de algo que desabonasse sua conduta.”

O Coaf é a unidade responsável por monitorar e receber todas as informações dos bancos sobre transações suspeitas ou atípicas. Pela lei, os bancos devem informar qualquer transação que não siga o padrão do cliente. Quando a transação é em dinheiro, o banco informa sempre que o valor for igual ou superior a R$ 50 mil.

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