Terça-feira, 10 de Dezembro de 2019

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Notícias Saiba como evitar que exercícios prejudiquem os joelhos

De grande aliada, a atividade física pode se tornar inimiga das articulações se não forem tomados alguns cuidados. (Foto: Reprodução)

Se os gregos antigos tivessem o conhecimento de anatomia de hoje, talvez escolhessem o joelho em vez do calcanhar para representar a vulnerabilidade do herói Aquiles. Isso porque poucas estruturas representam a complexidade de engenharia do corpo humano como essa, formada por ossos, cartilagens e ligamentos em constante movimento. E é justamente a atividade física regular a chave para preservar sua integridade e evitar lesões na região, comuns tanto entre atletas amadores quanto em sedentários.

“O ser humano foi feito para se movimentar. O joelho também. Os exercícios ajudam a criar a musculatura necessária para suportar excessos de carga”, afirma o ortopedista Moisés Cohen, da rede do plano de saúde premium Amil One, acostumado a atender medalhistas olímpicos e mundiais em sua clínica em São Paulo.

O que torna o joelho vulnerável é o fato de ele ser o eixo no qual se movem as duas alavancas mais longas do corpo, os ossos da tíbia e fêmur, nas pernas. Ali se concentram forças intensas, que podem atingir quatro vezes o peso do corpo em atividades como correr ou subir escadas. Para segurar tudo no lugar e ainda suportar choques com o solo e rotação, essa estrutura conta com uma série de ligamentos e cartilagens (os famosos meniscos, amortecedores da fricção entre os ossos). Exercícios podem ser grandes aliados ou inimigos, dependendo dos cuidados que os cercam.

Um dos cenários favoráveis a lesões é quando a falta de atividade física enfraquece musculatura na região, prejudicando a biomecânica do movimento. Músculos reforçados são úteis para que a extensão e a flexão das pernas aconteçam da forma mais eficiente possível, nos ângulos adequados. A fraqueza no quadril e nos glúteos, por exemplo, pode favorecer o desvio dos joelhos para dentro, chamado de valgo. Nesse caso, a pressão da patela (ou rótula, o osso triangular na frente da estrutura) sobre o fêmur pode levar ao desgaste da cartilagem. A dor vem logo em seguida.

Para evitar lesões, Cohen recomenda que antes de iniciar um novo exercício, principalmente os de impacto, como a corrida, o atleta amador procure um médico e faça uma rodada de exames. Além de investigar o condicionamento físico como um todo, as clínicas esportivas contam com ferramentas de análise de movimento específicas.

“Se o paciente souber como corre, pode já corrigir eventuais defeitos, como uma pisada supinada ou pronada”, exemplifica o médico, que nesses casos recomenda o uso de palmilhas corretivas em vez de tênis especiais.

Os cuidados devem ser redobrados caso a pessoa esteja acima do peso ideal, já que quilos a mais se multiplicam como estresse sobre os joelhos. Alguns esportes, como o futebol, também exigem atenção especial. Nesse caso, o perigo está nas mudanças bruscas de direção, que exigem simultaneamente dobra e rotação das pernas. Uma das lesões mais comuns entre jogadores é no ligamento cruzado, que une as partes envolvidas. Portanto, quem é atleta de fim de semana não deve se descuidar da musculação.

Outra recomendação importante é o alongamento, que deve ser uma prática cotidiana, inclusive dissociada da modalidade esportiva escolhida. A finalidade, nesse caso, é evitar estiramentos, como o que sofreu o jogador Daniel Alves em 2018.

“Sabemos que 80% das pessoas que têm dor anterior no joelho têm encurtamento do músculo da coxa”, destaca Cohen. “Muita gente pergunta se o alongamento deve ser antes ou depois da atividade. Digo que a flexibilidade é uma tarefa contínua.”

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