Últimas Notícias > CAD1 > Ainda sem Rodrigo Moledo, Odair abre semana de treinos do Inter em Atibaia

Saiba por que o Airbnb e a cidade de Miami estão em pé de guerra

Uma das propriedades em Miami Beach que estão na polêmica entre Airbnb. (Foto: Reprodução)

Em uma noite de sexta-feira recente, David Igbokwe e seus amigos estavam tranquilos no Airbnb que alugaram em Miami Beach, ouvindo música e se preparando para sair para jantar, quando tiveram os planos interrompidos por uma batida na porta. “É da prefeitura de Miami Beach”, disse a fiscal Jackie Caicedo.

Igbokwe abriu e se viu respondendo a uma série de perguntas. Vocês são de Miami Beach? Não. Estão aqui de férias? Sim. Encontraram o apartamento no site do Airbnb? Sim.

No fim, Caicedo deu a má notícia. “Estou aqui porque basicamente o aluguel deste apartamento é ilegal. Estamos em uma zona residencial, ou seja, é proibido alocar para curtas temporadas. Teria de ser, no mínimo, por seis meses e um dia.”

Nessa mesma noite, em um período de apenas 45 minutos, Caicedo visitou outros cinco apartamentos no prédio que fica no número 1.300 da 15th Street, uma estrutura branca de dois andares com oito unidades. No 101 havia dois homens mais velhos que não revelaram seus planos; no 103, dois jovens de vinte e poucos anos que saíram de Nova York e estavam ali para o fim de semana; no 104, uma família argentina de quatro pessoas; no 201, um casal de chilenos de mais idade que pretendia passar uma semana; no 204, um rapaz e uma garota que saíram de uma cidade ali perto, Hallandale. Todos tinham sido alugados ilegalmente. A denúncia partiu da administração do prédio ao lado.

Normalmente, quando os fiscais que verificam a obediência às zonas municipais se deparam com um caso de aluguel curto ilegal, pedem aos inquilinos que entrem em contato com o anfitrião e exijam relocação, mas, mesmo nos casos em que não há cooperação, quem alugou deve sair. Às vezes, a prefeitura ajuda a encontrar outro lugar, mas, uma vez que Igbokwe e seus amigos se mostraram solícitos e dispostos a sair depois de apenas duas noites, Caicedo disse que recomendaria a permissão de permanência.

Mas quando outro fiscal chegou, no dia seguinte, o grupo começou a ficar incomodado. Entraram em contato com o sujeito que lhes alugara o imóvel, que atendia pelo nome de Jason, para pedir reembolso, e também com a Airbnb – e por ela ficaram sabendo que, uma vez que não avisaram ninguém imediatamente após a visita de Caicedo, na noite anterior, não poderiam receber o dinheiro de volta. Igbokwe disse que Jason, que foi superamável no primeiro dia, parecia bravo com os hóspedes quando estes reclamaram da visita oficial. O dono do prédio foi multado em US$ 40 mil.

O apartamento alugado por Igbokwe ficava nos limites de um bairro chamado Flamingo Park, que se tornou o palco da briga entre moradores e empresas que oferecem aluguéis curtos em Miami Beach, incluindo Booking.com, VRBO, HomeAway, FlipKey e principalmente o Airbnb. Com exceção de algumas poucas propriedades com cláusula de anterioridade e/ou na região híbrida em que os contratos curtos são permitidos, a prefeitura proíbe aluguéis de menos de seis meses e um dia em praticamente todos os bairros residenciais.

“Temos um zoneamento em vigor na nossa comunidade, de modo que, quando a pessoa adquire um imóvel, ela sabe que está em uma área estritamente residencial”, diz o prefeito Dan Gelber, acrescentando que o Airbnb é um notório transgressor da lei.

A empresa, por sua vez, entrou na justiça contra a prefeitura, alegando que suas regras são excessivamente onerosas. “Ninguém se beneficia quando o governo municipal impõe leis criadas com a única intenção de punir tanto os moradores como os consumidores”, escreveu Benjamin Breit, porta-voz da companhia, por e-mail.

Na briga cada vez mais acirrada entre as empresas de aluguel e as comunidades, pessoas como Igbokwe e seus amigos, que alugaram acomodação sem saber que estavam aceitando uma transação ilegal, é que sofrem as consequências. E podem acabar na rua, sem o reembolso de centenas de dólares e precisando de um lugar para ficar, às vezes em plena madrugada.

“Não tem nem dúvida de que teríamos alugado em outro lugar se soubéssemos que era proibido ficar ali. Acontece que ficamos de mãos atadas, o que é frustrante”, desabafa Igbokwe.

Um bairro com cara de “cartão-postal”

É fácil entender por que o pessoal de fora quer se hospedar em Flamingo Park: além de ficar perto da praia, é cercado de restaurantes badalados. Como uma turista que não quis se identificar por estar hospedada ilegalmente disse, enquanto levava a mala pela rua, Flamingo Park “é perfeito, tem cara de cartão-postal”.

Quem é de fora pode não notar, mas em uma curta caminhada os moradores apontam os sinais de que um imóvel está sendo alugado – como as pequenas caixas nas laterais dos prédios, geralmente ao lado dos bicicletários ou escondidas pela vegetação, onde ficam as chaves que devem ser retiradas pelos locatários em férias. Muitas vezes, estes são vistos zanzando pelas ruas, com cara de perdidos, ou tocam a campainha errada porque não sabem bem para onde ir.

“Chega uma hora em que parece que você está morando em um hotel, sem saber quem entra e quem sai, de dia ou de noite”, reclama Kathaleen Smarsh, moradora de Flamingo Park.

Outra indicação geralmente é ouvida antes de ser vista: o som aparentemente contínuo das rodinhas das malas na calçada, no saguão e corredores dos prédios, a qualquer hora do dia ou da noite.

E também tem a música alta, que, segundo os residentes, acorda todo mundo no meio da noite, geralmente vinda de Ubers, Lyfts e táxis deixando os jovens hóspedes bêbados, mas muitas vezes dos próprios imóveis alugados.

Deixe seu comentário: