Home > Notícias > Brasil > Com 175 mil pedidos na fila de espera, a Polícia Federal anunciou a retomada da emissão de passaportes

Saída de Rodrigo Janot da Procuradoria-Geral da República leva a corrida por delações

O procurador, com 33 anos de Ministério Público, trava um embate histórico com o presidente Temer, a quem acusa formalmente de corrupção passiva no caso JBS. (Foto: Reprodução)

Na última semana, dois advogados contratados pelo ex-ministro Antonio Palocci (PT) para negociar delação premiada com a Operação Lava-Jato se reuniram com procuradores da República em Curitiba (PR).

A poucos quilômetros da reunião, na sede da PF (Polícia Federal), um delegado ouviu, mais uma vez, depoimento do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Também candidato a delator, o deputado cassado promete revelar fatos comprometedores contra o presidente da República, Michel Temer (PMDB).

Peças importantes para a Lava-Jato nas apurações de envolvimento de lideranças do PT e do PMDB, com foro privilegiado, em crimes de corrupção, os dois candidatos a delatores correm contra o relógio para fechar acordo com o MPF (Ministério Público Federal), antes da troca de comando na PGR (Procuradoria-Geral da República), que acontecerá em setembro.

Criminalistas e procuradores ouvidos avaliaram que não há garantia para as negociações em andamento que os termos tratados com a equipe de Rodrigo Janot sejam mantidos, com a posse da nova procuradora-geral, Raquel Dodge. Ela foi nomeada por Temer – denunciado há dez dias à Justiça, após a delação do grupo J&F – para o cargo nesta semana, após sabatina no Senado.

Além de políticos – núcleo que tem menor porcentual de colaboradores, entre os 158 –, estão na fila de candidatos a delatores: operadores de propinas, como Adir Assad; agentes públicos, como o ex-diretor da Petrobras Renato Duque; e executivos de empreiteiras como a OAS, Engevix, Queiroz Galvão, Mendes Júnior e EIT. Há ainda as que estão em processo de recall de acordos já homologados, como a Andrade Gutierrez. Para eles, é incerto o rumo das negociações depois de setembro.

“Temos uma corrida contra o relógio porque ele só fica até o dia 17 de setembro”, disse o criminalista Marcelo Leonardo, que representa a Mendes Júnior. “É natural que os candidatos à colaboração tenham alguma incerteza e ansiedade em relação ao futuro e busquem garantir a realização dos acordos logo”, afirmou o procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba.

Palocci contratou há dois meses os criminalistas Adriano Bretas e Tracy Reinaldet para negociar delação. As tratativas estão em fase prévia, que antecede o início oficial de negociações, e até aqui o conteúdo oferecido é considerado fraco. Cunha contratou o advogado Délio Lins e Silva e aposta suas fichas em um acordo com a PGR.

Advogado de pelo menos dez delatores da Lava-Jato, o criminalista Antonio Figueiredo Basto, defensor de Duque, também enxerga um cenário incerto. “Existe um risco de descontinuidade, em razão de serem pessoas diferentes, que têm uma percepção diferente do trabalho que foi realizado até hoje”, disse o advogado. “Agora, existe uma questão importante que é a segurança jurídica. Não pode haver mudanças, porque ninguém pode ficar à mercê da boa ou má vontade do Ministério Público em fazer ou não um acordo.”

Dallagnol não comenta negociações – a cláusula primordial das delações é o sigilo –, mas lembrou que Raquel Dodge “assegurou o apoio à Lava-Jato”. “Como as colaborações são o motor da operação, acredito que ela valorizará o emprego desse instrumento e garantirá um ambiente de segurança essencial ao instituto.” (AE)

 

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