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“Se ele portasse uma arma de fogo, teria me matado”, disse a juíza esfaqueada por um procurador em São Paulo

A juíza Louise Filgueiras foi atacada com uma faca por um procurador. (Foto: Divulgação/Ascom TRF-3)

Quando chegou ao TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região), em São Paulo, na quinta-feira da semana passada (3), a juíza Louise Filgueiras não imaginava que terminaria o dia nas páginas policiais. Ela ocupava o gabinete do juiz Paulo Fontes, de quem cobria as férias, quando o procurador da Fazenda Matheus Carneiro Assunção invadiu o escritório e a esfaqueou superficialmente no pescoço, em uma tentativa de matá-la.

Em estado de surto, ele foi preso em flagrante pela Polícia Federal e atualmente, encontra-se internado em ala psiquiátrica do Hospital das Clínicas.

Recuperada do susto, Filgueiras comentou o ataque em entrevista ao jornal O Globo e especulou o que poderia ter ocorrido se o procurador não estivesse de posse de uma faca, mas de outro arma mais letal.

“Acredito que o golpe de faca não me feriu gravemente porque a cadeira giratória se moveu e não ofereceu resistência. Mas se ele portasse uma arma de fogo, teria me matado. Eu não teria chance”, diz.

A juíza acredita que o esquema de segurança de prédios públicos, que permite a entrada de autoridades do Judiciário sem a necessidade de vistoria por equipamentos de raio-x, contribuiu para o episódio.

“Acho que essa determinação deveria ser repensada. Existe uma cultura que informa essas normas internas de dispensa do detector de metais para autoridade, mas este fato mostra que precisamos reavaliá-las e mudar isso.”

Louise descarta a possibilidade de mover alguma ação pessoal contra Assunção e diz que o caso deve se manter apenas na esfera criminal. Não há indícios de que o procurador tenha atacado a juíza por algum motivo específico. Segundo testemunhas, ele perambulou por outros escritórios e possivelmente entrou no gabinete dela de forma aleatória.

“Eu não conhecia o procurador e pelo que pude apurar até agora, não julguei nenhum processo em que ele tenha atuado. Pelas circunstâncias dos fatos, foi um ataque aleatório, direcionado a um magistrado qualquer. Ele me atingiu por que viu naquele lugar e momento uma situação favorável.”

Mesmo entendendo que o ataque foi fortuito e possivelmente fruto de um surto psicótico, Louise enxerga o momento atual do País, com acirramento no debate político, como um causador de atos de violência como este.

“Não dá para saber ao certo o que passou pela cabeça dele, mas estamos vivendo tempos difíceis, de muita intolerância e belicosidade. Isso acaba resultando em violência real. Há um clima conflituoso, de ódios, ressentimentos e indignação, que afeta a todos e pode levar a extremos.”

De volta ao trabalho, a juíza diz que tem tirado forças do apoio recebido de pessoas próximas e até de desconhecidos.

“Me afastei para fazer exames na sexta, mas já retornei às funções. Me sinto bastante reconfortada por amigos e familiares e muito grata por todas as manifestações de solidariedade que tenho recebido. Foram dias intensos, mas estou bem.”