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Sem citar a JBS/Friboi, Michel Temer grava um vídeo em que cobra punição a criminosos

Vídeo do presidente será divulgado nas redes sociais. (Foto: Marcos Corrêa/PR)

Na véspera de embarcar para viagem oficial de quatro dias por Rússia e Noruega, e na expectativa de ser denunciado pela PGR (Procuradoria-­Geral da República) nos próximos dias, o presidente Michel Temer gravou nesse domingo um vídeo em que, sem citar diretamente o empresário Joesley Batista, sócio do grupo J&F, defende punição a quem cometeu crimes.

O vídeo de cerca de quatro minutos será divulgado na tarde desta segunda­-feira nas redes sociais. Oficialmente, o material aborda a viagem do presidente, que embarca no final da manhã e buscará aprofundar relações comerciais. Segundo pessoas que acompanharam a gravação, Temer fala de encontros com o empresariado e com autoridades europeias e se compromete com as reformas que, segundo o governo, combatem privilégios.

Mas o presidente se posiciona também, de maneira indireta, em relação à crise política em que seu governo está imerso. Segundo o jornal Folha de S. Paulo apurou, Temer diz no vídeo que fará de tudo para que quem deve seja punido. É uma referência a Joesley Batista que gravou conversa com o presidente e, em entrevista à revista Época divulgada na sexta-­feira, afirma que o peemedebista é o “chefe” de uma organização criminosa. “O Temer é o chefe da Orcrim [sigla para organização criminosa] da Câmara. Temer, Eduardo, Geddel, Henrique [Alves], [Eliseu] Padilha e Moreira [Franco]. É o grupo deles. Quem não está preso está hoje no Planalto. Essa turma é muita perigosa. Não pode brigar com eles”, diz o empresário na entrevista.

No sábado, Temer divulgou nota em informa que entrará, na segunda-feira, com ações civil e penal contra o empresário e que o governo “não será impedido de apurar” crimes praticados por Joesley. Os processos serão movidos por seus advogados. “Suas mentiras serão comprovadas e será buscada a devida reparação financeira pelos danos que causou, não somente à instituição Presidência da República, mas ao Brasil. O governo não será impedido de apurar e responsabilizar o senhor Joesley Batista por todos os crimes que praticou, antes e após a delação”, diz o texto de sábado.

Durante o final de semana, Temer recebeu a visita de alguns de seus ministros no Palácio do Jaburu. A avaliação de aliados do presidente é de que, com base nessas “mentiras”, o acordo de delação premiada da JBS pode ser revisto. Um estrategista do Planalto qualifica Joesley Batista como “adversário ideal”, pois tem um perfil que desagrada a opinião pública.

DEPOIMENTO

O dono da empresa de carnes JBS, Joesley Batista, prestou depoimento na sexta-­feira à PF (Polícia Federal) no inquérito que investiga o presidente Michel Temer por suspeita de corrupção e tentativa de “compra do silêncio” do ex­-deputado federal Eduardo Cunha e do corretor de valores Lúcio Funaro. O depoimento foi prestado ao Ginq, grupo de policiais federais vinculados à direção ­geral da PF destacados para atuar nos inquéritos que tramitam em tribunais.

Em 7 de março, o empresário gravou uma conversa com Temer no Palácio do Jaburu. Segundo o entendimento da Procuradoria-Geral da República, na conversa Temer apoiou a iniciativa de Joesley para impedir que Cunha e Funaro fizessem uma delação premiada.

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