Últimas Notícias > Notícias > Brasil > Após reportagem sobre o acesso a dados da Receita Federal, o procurador Deltan Dallagnol disse que seguiu a lei

Senadores novatos preferem consultar as redes sociais a seguir orientação de líderes nas votações

Jorge Kajuru (PSB-GO) e Leila Barros (PSB-DF). No Senado, a tradição é seguir a orientação de lideranças. (Foto: Agência Senado)

Políticos experientes lutam para que seus colegas novatos se convençam no Senado: acordos entre líderes devem ser cumpridos. De acordo com o jornal O Globo, mais focados em dar satisfação às redes sociais do que na articulação política tradicional, um grupo de “excelências” tem se rebelado contra o que é combinado entre quatro paredes com os colegas.

Depois de um desentendimento na votação do projeto, aprovado em abril, que anistia partidos que não investiram o mínimo previsto em lei em ações para incentivar a participação da mulher na política, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), pediu aos líderes que controlem seus liderados, sob risco de perderem a autoridade para negociar votações em nome de seus partidos.

Na ocasião, líderes haviam concordado em votar a pauta da anistia. No plenário, porém, Jorge Kajuru (PSB-GO), Leila Barros (PSB-DF), Soraya Thronicke (PSL-MS) e outros novatos contestaram a votação.

Senadora

A senadora Soraya Trhonicke (PSL) foi apontada pela imprensa nacional como integrante do grupo de novatos que preferem consultar as redes sociais ao invés de votarem com base nas orientações dos líderes de bancadas, como é feito tradicionalmente no Senado Federal.

Se na Câmara dos Deputados é comum que haja divergências, no Senado a tradição é seguir a orientação de lideranças, baseados nos acordos de políticos mais experientes. Contudo, Alcolumbre precisou pedir aos líderes que controlem seus liderados, sob o risco de perderem autoridades na hora de negociarem acordos para as votações em nome de seus partidos.

O ponto crítico na situação teria ocorrido em abril, durante a votação de projeto que anistia partidos que não investiram o mínimo previsto em lei em ações para incentivar a participação da mulher na política. As lideranças haviam concordado em votar a pauta. Contudo, no plenário senadores novatos, incluindo Soraya, contestaram a votação.

“A gente não encontra os líderes aqui para compreender o que está acontecendo. E todo dia é um susto. A gente se prepara e, quando vê, há uma extrapauta dessa magnitude. Então, a culpa não é sua [Alcolumbre]. Vocês acordaram algo lá, mas eu reitero que não há justificativa para essa urgência. É susto atrás de susto. Não dá”, reclamou Soraya durante a sessão.

Na ocasião, o presidente do Senado respondeu à queixa lembrando a maneira como são acordadas as pautas: “Vai chegar o momento em que a gente vai quebrar o último instrumento que o Parlamento tem de tocar com seriedade e com calma, que são os acordos dos líderes. Vai acabar criando uma crise de um acordo que se constrói, mas no plenário se quebra”. Depois, pediu às lideranças para resolverem a situação com os novatos.

Celular na mão 

Outro ponto de desconforto entre senadores mais experientes seria o hábito de “votar com o celular na mão”, em referência aos novatos que estão constantemente ligados na opinião pública pelas redes sociais. O grupo faria parte de uma “minoria polêmica” que se pauta pela vontade manifesta pelos eleitores pelas redes, mas que não possui número suficiente para impor suas pautas e levá-las a votação.

Eles têm sido apontados como “rebeldes” do Senado e já teriam criado desentendimento em outras votações, como a do projeto que engessa o Orçamento da União e articulação pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) dos tribunais superiores.

Na tentativa de aliviar a tensão, o presidente do Senado mudou a estratégia e decidiu entregar antecipadamente a pauta de votação aos líderes, na sexta-feira que antecede as análises dos projetos. “Acho que vão serenar os ânimos, porque as assessorias vão ter tempo para produzir notas técnicas sobre as propostas; e as bancadas, para debaterem”, avaliou o líder do Podemos, Alvaro Dias (PR), sobre a nova estratégia.

Deixe seu comentário: