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Setor produtivo critica e mercado financeiro minimiza queda de Joaquim Levy da presidência do BNDES

Joaquim Levy pediu demissão da presidência do BNDES neste domingo. (Foto: Agência Brasil)

O pedido de demissão de Joaquim Levy da presidência do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) neste domingo (16) foi visto com preocupação pela iniciativa privada. Há expectativa em relação ao sucessor e temor por interferência política. Para José Roriz Coelho, ex-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo) e presidente da Abiplast (associação da indústria plástica), Levy era um dos melhores quadros do governo.

“É um excelente nome, foi corajoso ao levantar questões importantes como a redução do tamanho do estado quando ministro do governo Dilma [Rousseff]. É muito ruim perder um nome como ele em um momento como este, em que o Brasil precisa de reformas.”

Sobre a crítica de Jair Bolsonaro à nomeação de Marcos Barbosa Pinto, que trabalhou no governo Luiz Inácio Lula da Silva, para uma diretoria do BNDES, Roriz diz não ver problema na indicação. “O Brasil precisa de pessoas competentes independentemente de ter passado por governo de esquerda ou direita. Agora devemos ter o mínimo de mexida possível [na equipe econômica] e priorizar a entrega do que foi anunciado.”

A mudança de perfil do banco, que sofreu cortes no orçamento, vinha sendo bem conduzida pelo ex-ministro da Fazenda. “O banco fazia grandes empréstimos mal alocados e agora foca a pequena e média empresa. Seria importante que isso permanecesse”, diz.

A queda de Levy é uma crise mais política que econômica, segundo Fernando Figueiredo, da Abiquim (associação da indústria química). “O banco está em um momento em que as linhas de crédito não são as mais vantajosas para financiar investimentos empresariais, dedica-se mais a projetos de infraestrutura. Esse perfil é criticado pelo setor [químico], mas não acredito em mudança na linha de atuação”, afirma.

Apesar de elogiar Levy, ele diz que a saída do economista do BNDES não deve ter grande impacto no mercado, desde que a agenda econômica do governo se mantenha. “É uma pena sua saída, Levy é um nome suprapartidário e tem um nível de qualidade técnica de excelência”, diz Sergio Mena Barreto, presidente da Abrafarma (associação de grandes redes de farmácia).

Para ele, Levy teve pouco tempo para mostrar resultados concretos no banco, e sua saída tende a ser mais política. “Não adiantaria ele ficar em uma posição desgastada [com Bolsonaro] porque prejudicaria o governo e a imagem do Brasil junto ao mercado.”

Mena Barreto diz acreditar na nomeação de alguém alinhado com o discurso de Guedes e Bolsonaro. “Seria interessante ter alguém do setor privado”, afirma, sobre a possibilidade de Salim Mattar, fundador da Localiza e atual secretário de Desestatização, assumir o cargo.

“A saída é um mau sinal para o mercado do ponto de vista de governança porque o presidente atropelou o ministro Guedes”, afirma Sandro Cabral, professor de políticas públicas no Insper. A eventual reticência de Levy em cumprir as devoluções de recursos ao Tesouro pelo BNDES pode ter sido um dos fatores de desgaste.

“Guedes prometeu coisas sem exibir cálculos, metas que parecem inexequíveis. A receita que ele esperava do banco [R$ 126 bilhões] certamente ajuda [a desgastar a relação].” “O governo precisa de um nome com perfil similar ao de Levy, com conhecimento da máquina pública, mas será difícil encontrar quem aceite dado esse histórico”, diz.