Sexta-feira, 06 de Dezembro de 2019

Porto Alegre
Porto Alegre
22°
Fair

Brasil Solto da prisão, Roberto Jefferson já planeja disputar eleições de 2018

Roberto Jerfferson deixou penitenciária acompanhado da noiva Ana, com quem vai casar. Foto André Redlich/AG

Condenado no processo do mensalão, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) tentará suspender os efeitos da Lei da Ficha Limpa para voltar ao Congresso em 2018. Após seis mandatos pelo Rio de Janeiro, ele planeja mudar o domicílio eleitoral para se candidatar a uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Estado de São Paulo.

Na quinta-feira, o petebista foi autorizado pelo ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), a cumprir o resto da pena em casa. Ele acabou solto no sábado, após passar um ano e dois meses na cadeia.

Pela Lei da Ficha Limpa, Jefferson só poderia concorrer em 2022. Ele quer antecipar a volta com um pedido de indulto no fim do ano. O STF já concedeu o benefício ao ex-deputado José Genoino (PT-SP), também condenado no mensalão.

Para advogados ouvidos pelo petebista, o indulto anularia a suspensão de direitos políticos por oito anos. A tese ainda terá que ser julgada pela Justiça Eleitoral. Pivô da maior crise do governo do petista Luiz Inácio Lula da Silva, Jefferson pretende capitalizar o sentimento anti-PT em São Paulo.

Ele já encomendou pesquisas para testar sua popularidade no Estado. Segundo aliados, seria eleito com folga. O ex-parlamentar também quer evitar uma divisão dos votos com a filha, Cristiane Brasil (PTB-RJ), que é a presidente nacional do partido. Ela herdou sua base eleitoral na região serrana do Rio e exerce o primeiro mandato como deputada federal.

Jefferson foi condenado a sete anos e 14 dias por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Foi preso em fevereiro de 2014 e cumpria a pena em regime semiaberto, com autorização para trabalhar. O ex-político também foi multado em 740 mil reais.

Com a progressão para o regime aberto, poderá passar as noites em casa, mas terá que obedecer a algumas restrições, como não ir a bares, e não viajar sem autorização da Justiça.

O ex-deputado já pediu autorização à Vara de Execuções Penais para se casar no dia 29 deste mês, em Três Rios. Mesmo afastado, Jefferson faz política nos bastidores. Ele espera concluir nos próximos meses a fusão do PTB com o DEM. A nova sigla teria a quarta maior bancada da Câmara, com 45 deputados federais.

Almoço
Depois de passar um ano e dois meses preso, o delator do esquema do mensalão, disse ao deixar a prisão que também tem planos de voltar a exercer a advocacia. Ele deixou o Instituto Penal Francisco Spargoli Rocha, em Niterói (RJ), bem-disposto, com uma aparência saudável, e afirmou que se tornou “uma pessoa melhor”.

Após a liberdade, Jefferson dirigiu seu carro modelo Corolla da Toyota até o apartamento que alugou em um dos condomínios mais luxuosos da Barra da Tijuca, no Rio, o Golden Green. O aluguel do local custa cerca de 8 mil reais e o condomínio 2 mil reais. Como primeira refeição, ele pediu almoço em casa, em um restaurante japonês, para quatro pessoas – ele, a noiva Ana Lucia Novaes, a filha e um funcionário. O preço do almoço: 500 reais, pagos em espécie com notas de 100 reais.

Nos primeiros dias fora da cela, o presidente de honra do PTB afirmou que quer aproveitar para “namorar muito” a sua noiva. No final da entrevista, Jefferson se emocionou ao comentar do tempo passado na prisão. “Tive tempo de ler, de conhecer o sofrimento das pessoas que passam por isso”, afirmou, chorando, após relatar que passou por oito infecções intestinais na prisão.

Em 2012, ele passou por uma cirurgia para retirar um tumor no pâncreas e perdeu 20 quilos. “Não há prisão que seja boa, mas tive total apoio para cuidar da minha saúde”, disse o ex-parlamentar. “Evoluí, melhorei”.

o mensalão
O processo do mensalão é o maior julgado em toda a história do STF. Além do grande impacto político, a complexidade da ação penal vem da própria estrutura do processo. Originalmente com 40 réus, a ação produziu mais de 50 mil páginas e demandou a oitiva de 600 testemunhas. O julgamento durou 53 sessões e consumiu 204 horas de funcionamento do plenário, monopolizando o trabalho do STF no segundo semestre de 2012.

Dos 40 réus iniciais, três não chegaram a passar por julgamento. Dos 37 réus que foram julgados, 25 foram condenados e 12 absolvidos. A Corte decidiu que 11 deles devem cumprir a pena em regime inicialmente fechado, 11 em regime semiaberto, um em regime aberto e dois tiveram a pena substituída por medidas restritivas de direito, como pagamento de multa e proibição de exercício de função pública. Ao todo, as condenações somaram 273 anos, três meses e quatro dias de prisão, e as multas superaram 20 milhões de reais. (AG)

Todas de Brasil

Compartilhe esta notícia:

Oposição quer que ex-ministro de Minas e Energia explique à CPI sua participação como sócio em empresa de paraíso fiscal
Governo venezuelano amplia perseguição judicial a veículos de comunicação
Deixe seu comentário
Pode te interessar