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Suspeita de provocar incêndio que deixou dez mortos e mais de 30 feridos em Paris passou por internações psiquiátricas

Dez pessoas morreram e mais de 30 ficaram feridos em incêndio que atingiu edifício no 16º distrito da capital francesa. (Foto: B. Moser /Brigada dos Sapeurs-Pompiers de Paris)

A suspeita de ter provocado o incêndio que deixou dez mortos e mais de 30 feridos em Paris, na França, na terça-feira (05), passou o equivalente a quase cinco anos internada em hospitais psiquiátricos. Ela teria colocado fogo no imóvel depois de brigar com um vizinho.

Essia B., de 40 anos, recebeu alta da última vez em 30 de janeiro, cinco dias antes do incêndio que destruiu o prédio da Rua Erlanger, no 16º distrito da capital francesa. Para conter as chamas, cerca de 200 bombeiros foram mobilizados.

Desesperados, muitos moradores se refugiaram no teto do imóvel à espera de socorro. Três pessoas morreram ao se atirar das janelas para fugir das chamas. O fogo só foi contido cinco horas após o início dos trabalhos dos bombeiros.

Mais de 24 horas após o incêndio, os bombeiros continuam no prédio em busca de vítimas principalmente no 7º e 8º andar, que foram os mais atingidos pelas chamas apesar do fogo ter começado no 2º andar. Técnicos também avaliam os estragos na estrutura.

Conhecida da justiça

A suspeita foi detida na rua, após o início do incêndio, enquanto tentava atear fogo ainda em uma lixeira e em um carro. Alcoolizada, ela explicou aos policiais que havia brigado com o vizinho Quentin, um bombeiro de 22 anos, que mora no edifício há apenas 3 meses.

Na Justiça francesa, Essia já era conhecida por “porte de arma”, sem que a natureza dela tenha sido especificada. Foi alvo de duas queixas em 2016, incluindo uma para um caso de incêndio de uma loja, de acordo com a RFI (Rádio França Internacional).

Os processos, no entanto, foram arquivados devido ao estado mental da suspeita. O terceiro caso, em 2017, referente à violência doméstica, também foi arquivado, mas por um delito que não foi suficientemente caracterizado. Ela também já havia sido interpelada por disputas de vizinhança e atos de violência e degradação.

Briga com vizinho

Quentin contou que, na noite de segunda-feira (04), a música alta que vinha do apartamento de Essia B. estava impedindo a namorada e ele de dormir.

Como não conseguiu convencê-la de baixar o volume, o casal chamou a polícia e deixou o imóvel. Ao retornar, voltou a encontrá-la. Segundo o bombeiro, ela ainda tentou quebrar uma janela, derrubar sua porta e que teria colocado pedaços de madeira e papel na entrada do seu apartamento. “Ela me desejou boa sorte, lembrando que eu sou bombeiro e que eu deveria adorar o fogo”, contou, de acordo com a Rádio França Internacional.