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Temer também é o dono do triplex de Guarujá?

O empresário afirma que solicitou apoio para o negócio entre os anos de 2009 e 2010. (Foto: Reprodução)

A curiosa entrevista-bomba do empresário Joesley Batista, dono da JBS, atribuindo ao presidente da República, Michel Temer, a condição de “chefe de quadrilha” provocou uma imediata reação do acusado: em nota oficial, o presidente Michel Temer anuncia a adoção de interpelações ao empresário, nas esferas cível e criminal. Tão desconexas foram as declarações do dono da JBS e seu esforço para excluir o ex-presidente Lula do foco das investigações, que apenas faltou afirmar que Michel Temer seria o verdadeiro dono do polêmico triplex de Guarujá.

Um acordo dos sonhos

O acordo de delação da JBS, o chamado “acordo dos sonhos”, que poderá ser revisado nesta terça-feira pela Segunda turma do STF, permitiu que Joesley e seu irmão, Wesley, não fossem condenados a dois mil anos de prisão, não precisassem ficar presos, sequer obrigados a usar tornozeleira eletrônica com direito a anistia nas demais investigações às quais respondem e sem necessidade de entregarem os passaportes.

Ex-procurador da Lava-Jato atua no escritório que atende Joesley

O ex-procurador da República Marcelo Miller, que atuava no grupo de trabalho da Lava-Jato e era um dos braços-direitos do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, passou a atuar neste ano no escritório Trench, Rossi & Watanabe Advogados, que negociaram com a PGR os termos de leniência do grupo JBS, o que surpreendeu aos próprios colegas na Procuradoria-Geral da República. Miller atuava na Lava-Jato até março e, segundo informações, tornou pública a decisão de deixar a PGR em 6 de março, exatamente na véspera da conversa entre Joesley Batista e o presidente Michel Temer, gravada pelo empresário no Palácio do Jaburu.

Ministro Fachin teve apoios importantes

Grupo de parlamentares da base do governo ainda insiste em apurar a polêmica que cerca os movimentos que o agora ministro Edson Fachin fez, durante sua campanha para ser indicado para o Supremo Tribunal Federal. O delator Ricardo Saur, lobista da JBS, usou seus contatos em Brasília e colaborou decisivamente para a indicação de Fachin, viajou com ele no trajeto Curitiba-Brasília-Curitiba e promoveu jantar com o senador Renan Calheiros. O ministro não se deu por suspeito ao homologar o acordo de delação dos Batista e Saur.

O diálogo sobre propinas com Dilma

Joesley Batista relata também suas conversas com os ex-presidentes Luis Inácio e Dilma, sobre propinas. Com Dilma, a conversa no Palácio do Planalto, segundo ele, foi bastante explícita:

“Confirmei com a Dilma porque ela me pediu R$ 30 milhões para o [governador de Minas Gerais, Fernando] Pimentel. Aí me senti na liberdade de explicar.”

A conversa, segundo Joesley, foi “no Palácio do Planalto”, “na mesa redonda do gabinete presidencial”.

“Expliquei: acabou o dinheiro. Ela ouviu e falou: ‘Tá bom. Pode fazer’. Foi o último dinheiro. Estava no final da campanha.”

Marco Aurélio: “MP não fala pelo Judiciário”

Incomodado com o protagonismo do Ministério Público, adotando decisões que, na sua ótica, seriam privativas de magistrados, o ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello afirmou que é atribuição exclusiva do Judiciário negociar benefícios de penas nas delações premiadas. “O Ministério Público não pode prometer algo que decorre da caneta de quem julga. O Ministério Público não fala pelo Judiciário.”

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