Trabalhadores com mais de 65 anos ocupam menos de 1% das vagas formais de emprego no Brasil

Proposta de reforma da Previdência prevê que brasileiro trabalhe além dos 65 anos de idade para obter a aposentadoria integral (Foto: Reprodução)

Se a proposta de reforma da Previdência do governo federal for aprovada, a maioria dos brasileiros terá que trabalhar além dos 65 anos para conseguir a aposentadoria integral e manter seu padrão de vida na terceira idade. Quem optar por esse caminho vai esbarrar em um número limitado de vagas formais para os idosos no mercado de trabalho brasileiro.

Estimativas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam que cerca de 16 milhões de pessoas com mais de 65 anos fazem parte da população brasileira. No entanto, apenas 137,6 mil delas ocupam vagas formais no mercado de trabalho, de acordo com dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) de 2015. Esse grupo representa apenas 0,3% dos 48 milhões de trabalhadores formais na economia brasileira em 2015.

Além dos dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), que englobam os trabalhadores celetistas (regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho, CLT), os números da Rais também incluem os servidores públicos federais, estaduais e municipais, além de trabalhadores temporários.

De acordo com os dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) de 2015, dos 5.570 municípios do País, 906 não tinham nenhum trabalhador com essa idade. A maior parte dos municípios (4.234) tinham, cada um, menos de 50 trabalhadores com 65 anos ou mais.

Entre as cidades com trabalhadores acima de 65 anos, aquela que tem mais pessoas nessa condição é São Paulo (15.756), seguida por Rio de Janeiro (10.935), Belo Horizonte (3.652), Brasília (3.508), Fortaleza (3.116), Salvador (3.072), Porto Alegre (3.011), Curitiba (2.957), Recife (2.873) e Belém (1.897).

Reforma da Previdência

O governo federal apresentou no início de dezembro uma proposta para a reforma da Previdência. Uma das principais mudanças é a criação de uma idade mínima de aposentadoria, de 65 anos, para homens e mulheres. Essa regra inviabilizaria que trabalhadores mais jovens se aposentassem por tempo de contribuição, como ocorre atualmente.

A proposta também muda o cálculo do benefício do aposentado. Para conseguir a aposentadoria integral, o trabalhador deveria contribuir por 49 anos. Ou seja, apenas aqueles que começaram a trabalhar com 16 anos teriam aposentadoria integral ao se aposentar com a idade mínima. A proposta está em tramitação no Congresso Nacional e ainda pode sofrer modificações antes de entrar em vigor.

Idosos na economia informal

De acordo com a pesquisadora do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Ana Amélia Camarano, o número de idosos com mais de 65 anos trabalhando sobe quando se considera também o mercado informal.

Citando dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), do IBGE, ela informou que havia cerca de 2,82 milhões de trabalhadores com mais de 65 anos no País em 2014, enquanto a população economicamente ativa somava mais de 100 milhões de pessoas. (AG) 

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