Últimas Notícias > Atividades Empresariais > Biscoitos Zezé firma novos patrocínios e reitera seu envolvimento com a comunidade

Tragédia contemporânea

(Foto: Reprodução)

A GloboNews exibiu o documentário Menores refugiados na Europa. Vítimas da guerra, meninos chegam ao Velho Continente sós, entregues à própria sorte. Ao descrever a tragédia, o narrador disse que “milhares de crianças são ignoradas”. Telespectadores atentos estranharam a concordância: ignoradas ou ignorados?

Trata-se do partitivo. O verbo pode concordar com o núcleo do sujeito (milhares) ou com o complemento (crianças). Ambos estão no plural. O verbo não tem saída. Vai atrás. Ora, se a escolha recaiu sobre milhares, o particípio se flexiona no mesmo gênero (masculino) e número (plural). Se sobre crianças, o feminino plural pede passagem – milhares de crianças são ignorados, milhares de crianças são ignoradas.

Milhar, milhão

Milhar e milhão são substantivos masculinos. O numeral, o artigo ou o adjetivo que os modificam devem concordar com eles: dois milhares de pessoas, os milhares de lâmpadas, dois milhões de crianças, duzentos milhões de estrelas, o milhão de dólares, um milhão de vezes, belos milhões de libras.

Mil

É proibido confundir Germano com gênero humano. Mil não tem parentesco com milhar e milhão. É numeral, não substantivo. Por isso, concorda com o nome a que se refere: duas mil pessoas, duzentas mil crianças, quinhentos mil dólares.

Acertei no milhar

No tempo em que o jogo do bicho estava no auge, Moreira da Silva fez estrondoso sucesso com o samba de breque “Acertei no milhar”. Conhece? Eis a letra: “Etelvinaaaaaaaaa! / O que é, Morengueira? / Acertei no milhar! / Ganhei 500 contos, / Não vou mais trabalhar / Você dê toda roupa velha aos pobres / E a mobília podemos quebrar / (…) / Etelvina, vai ter outra lua de mel / Você vai ser madame / Vai morar num grande hotel / Eu vou comprar um nome não sei onde / De Marquês Morengueira de Visconde / Um professor de francês, mon amour / Eu vou mudar seu nome pra Madame Pompadour”.

Pedacinho

Partitivo vem de parte. Sujeito representado pelas expressões partitivas (a maioria de, a maior parte de, grande parte de, metade de e equivalentes) acompanhado de substantivo ou pronome joga no time dos generosos. O verbo pode concordar com o núcleo do sujeito ou com o complemento: A maior parte dos refugiados toma (ou tomam) o caminho da Europa. Metade dos candidatos desistiu (ou desistiram) da prova. A maioria de nós sairá (ou sairemos).

Dose dupla

Com a divulgação das delações premiadas, acusações pululam a torto e a direito. Os atingidos se defendem, claro. Pra se safar, têm a desculpa na ponta da língua. A campeã: “Não sei de nada”. Muitos questionam a dose dupla.

Não é negativa. Nada também é. “A duplinha constitui redundância?”, perguntam. Não. O português exige a dupla negativa: Não estudei nada. Não aprendi nada. Não sei nada. Não chegou ninguém.

Deu branco

Na entrevista coletiva da semana passada, deu branco no secretário da Receita Federal. Em dado momento da explicação sobre as medidas anunciadas, ele disse “é importante que o país adera”. Parou. Buscou na memória a forma que soasse melhor.

Sem sucesso, trocou seis por meia dúzia: “A adesão do país é importante”. Palmas pra ele. Mas… que tal conjugar o verbo como manda a gramática? Guarde isto: aderir se conjuga como preferir.

Assim: eu prefiro (adiro), ele prefere (adere), nós preferimos (aderimos), eles preferem (aderem); eu preferi (aderi), ele preferiu (aderiu), nós preferimos (aderimos), eles preferiram (aderiram). E por aí vai.

Leitor pergunta

Ouvi uma comentarista da tevê dizer que não era “pão-dura”. Estranhei o feminino. Está correto?

Lucas Nobre, Brasília

O estranhamento procede, Lucas. O adjetivo concorda com o substantivo. Pão é masculino. Duro só tem uma saída – ir atrás: José é pão-duro. Maria é pão-duro. Maria e José são pães-duros.

Deixe seu comentário: