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Tribunal da Turquia decidiu libertar um americano acusado de ser espião

Brunson foi preso em outubro de 2016 e em julho deste ano foi transferido para prisão domiciliar. (Foto: Reprodução)

Um tribunal da Turquia decidiu nesta sexta-feira (12) conceder liberdade ao pastor evangélico americano Andrew Brunson. O tribunal sentenciou Brunson a três anos e um mês de prisão, mas concluiu que ele não precisará ficar mais tempo sob custódia por causa do tempo que já esteve preso. Brunson foi preso em outubro de 2016 e em julho deste ano foi transferido para prisão domiciliar. O tribunal também levantou a proibição de viajar a que estava submetido.

O pastor era julgado por “terrorismo” e “espionagem”, acusado de agir em nome da rede do pregador Fetullah Gülen, a quem Ancara acusa de ser o mentor do golpe fracassado de julho de 2016, mas também em nome do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). Essas duas organizações são consideradas terroristas pela Turquia.

Estabelecido na Turquia há cerca de 20 anos, o pastor estava à frente de uma pequena igreja protestante em Izmir. Ele negou todas as acusações de atividades “terroristas” que pesam sobre ele. Os EUA pediam a libertação do pastor, enquanto Ancara solicitava a extradição de Gülen. A decisão desta sexta faz com que Brunson possa deixar a Turquia e ir aos Estados Unidos. O presidente Donald Trump publicou em sua conta no Twitter: “Trabalhando muito duro sobre [o caso] o pastor Brunson!”

“Meus pensamentos e orações estão com o pastor Brunson, e esperamos tê-lo de volta e em segurança em breve!”, disse Trump em outro tuíte.

A prisão de Brunson causou uma crise diplomática entre os dois países e uma crise da moeda da Turquia em agosto. Na época, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan atribuiu a um complô a queda vertiginosa da lira turca, acusou os EUA de quererem esfaquear a Turquia pelas costas.

EUA e Turquia são dois membros da Otan que têm se distanciado há anos devido a uma série de divergências sobre a Síria, sua percepção de ameaças de segurança e acordos de defesa. Os EUA impuseram sanções contra dois ministros turcos, e Ancara respondeu com medidas similares.Na sequência, Trump anunciou o aumento das tarifas de importação do aço e do alumínio turcos. E a Turquia retaliou com aumentou de tarifas de vários produtos dos EUA. Em julho, os EUA tinham anunciado que iriam impor sanções contra a Turquia pela prisão de Brunson.

Pastor

Líder da pequena Igreja da Ressurreição de Izmir, Andrew Brunson, de 50 anos, viveu as últimas duas décadas na Turquia. Foi preso em 2016, na esteira da onda repressora que varreu o país após a tentativa de golpe contra o governo de Recep Tayyip Erdogan.

Ele engrossava a extensa lista de desafetos perseguidos pelo então premier e atual presidente: são juízes, jornalistas, acadêmicos e também cidadãos turcos que têm nacionalidade americana.

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