Últimas Notícias > Esporte > O ex-presidente do Sporting foi preso sob a acusação de mandar agredir jogadores do time

Um ano antes de ser preso, ex-presidente do Detran do Rio de Janeiro prometeu combater corrupção: “Os maus serão punidos”

Vinicius Farah foi um dos dez deputados presos na Operação Furna da Onça. (Foto: Reprodução)

“Os maus serão punidos”. Ao proferir esta sentença, há um ano, Vinicius Farah mal poderia imaginar que ela seria aplicada a si mesmo. Em entrevista ao jornal Extra, em outubro de 2017, o então presidente do Detran-RJ afirmou que o combate à corrupção era “uma preocupação sistêmica” e anunciou uma série de medidas para desencorajar desvios de conduta na autarquia estadual. Na tarde de quinta-feira, o deputado eleito pelo MDB se apresentou à Polícia Federal em Brasília. Ele foi um dos dez deputados presos na Operação Furna da Onça, um desdobramento da Operação Lava-Jato no Rio de Janeiro que investiga um esquema de compra e venda de votos na Alerj que movimentou ao menos R$ 54 milhões.

De acordo com investigação do Ministério Público Federal, Vinicius Farah foi indicado à presidência do Detran pelo deputado estadual Jorge Picciani com referendo de Paulo Melo, ambos presos preventivamente desde novembro do ano passado. Ainda segundo a petição, Farah “garantiu a manutenção do esquema ilícito de distribuição de cargos no âmbito do Detran”.

“Note-se, ainda, que Vinícius Farah, personagem abertamente associado a um dos chefes do esquema, Picciani, acaba de se eleger deputado federal, o que, além de refletir o apoio do MDB, base da organização criminosa, à candidatura, revela a importância do uso da máquina administrativa do Detran/RJ, notadamente em contexto de reformulação do financiamento de campanha e diminuição do volume de recursos públicos (obtidos através de propina)”, afirma a petição.

Medidas anticorrupção

Na entrevista concedida ao Extra, em outubro de 2017, Vinicius Farah declarou guerra contra a corrupção e chamou atenção para o fato de que, em oito meses no cargo, havia demitido 92 pessoas por desvio de conduta ou mau atendimento, uma média de três por semana. Na ocasião, o então presidente do Detran afirmou que, até o fim daquele ano, todos os postos de vistoria seriam fiscalizados por câmeras e receberiam blitzes de surpresa. Ele anunciou ainda que aumentaria a equipe de fiscalização, que passaria de três para 87 funcionários.

Leia abaixo trechos da entrevista publicada no dia 8 de outubro de 2017:

1- Combater a corrupção no Detran é sua prioridade?

O combate à corrupção é uma preocupação sistêmica. O papel do novo Detran é apresentar uma cara nova, abrir suas portas, ouvir o clamor da sociedade e não tapar o sol com a peneira. Não estou aqui para negar, mas para admitir quando existem erros e, mais ainda, para buscar ferramentas que mudem esse quadro. Para isso, criamos o Detran Conduta, unindo as estruturas da Corregedoria e da Ouvidoria. O trabalho que antes era feito por três colaboradores agora já conta com 57, sendo 18 policiais militares, dois delegados e um agente da Polícia Civil. Até meados de dezembro, serão 87 profissionais.”

2- O que é esse programa?

“O Detran Conduta, que foi lançado no último dia 21, acompanha o dia a dia das pessoas, avaliando não apenas o mau colaborador, mas também o bom colaborador. É uma ferramenta para fazer justiça: valorizar o bom colaborador e coibir e punir o mau. Através da meritocracia, vamos construir uma pontuação, e o servidor que tiver boas práticas e vestir a camisa do Detran será validado, para que isso tenha um impacto futuro na sua melhora de salário.”

3- Como será a fiscalização?

Até meados de dezembro, teremos todos os postos do Detran monitorados por câmeras de última resolução. Além disso, vamos aplicar a mesma ferramenta que existe na Lei Seca: os agentes fiscalizadores terão câmeras nos seus coletes. Todo o material vai para uma central de monitoramento, que será sistematicamente acompanhada por policiais. Os maus funcionários serão excluídos. No caso dos funcionários públicos, será aberto um processo administrativo.”

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