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Um ano após resgate, os meninos da caverna na Tailândia vivem a fama sem abandonar as suas origens

Os meninos participaram de cerimônia que marcou o fim do retiro de 11 dias que fizeram em um templo budista do país após o resgate. (Foto: Reprodução)

Na pequena e pobre cidade tailandesa de Mae Sai, perto da fronteira com Mianmar e Laos, eles vivem como os outros adolescentes locais. Moram com as suas famílias, vão à escola e jogam futebol. Para além da rotina, as suas vidas seriam comuns, de fato, caso não fossem mundialmente famosos, inclusive com um contrato fechado com a Netflix para a produção de uma minissérie sobre o que viveram há exatamente um ano.

São eles os apelidados “meninos da caverna”, 12 adolescentes que, em 2018, ficaram 17 dias presos num perigoso complexo de cavernas inundadas por fortes chuvas. O seu dramático resgate, com a mobilização de esforços internacionais, foi acompanhado pelo mundo todo, até chegar ao final feliz.

Então entre 11 e 16 anos, os meninos, que integravam o time amador de futebol Javalis Selvagens, viram sua vida mudar muito. Hoje, eles vivem nas mesmas casas simples com as suas famílias e continuam treinando sob as orientações do técnico Ekapol Chanthawong, segundo as agências AFP e EFE. O jovem treinador, assistente do titular da equipe, ficou preso com eles no complexo de cavernas de Tham Luang, que se estende por cerca de 10 quilômetros sob uma montanha na província de Chiang Rai, no Norte da Tailândia.

Mas nem eles nem suas famílias podem comentar publicamente o que viveram, como parte do contrato com a Netflix. Já viraram também tema de livros.

Além disso, os meninos neste tempo fizeram viagens a diferentes lugares do mundo, incluindo Argentina, Estados Unidos e Reino Unido. Os seus pais são os responsáveis por gerenciar os seus direitos de imagem agora, por meio de uma empresa própria. Por sua vez, o treinador lançou sua academia de futebol e criou fama nas redes sociais.

“Agora os meninos estão bem, eles vão normalmente à escola”, disse o general Weerachon Sukhontapatipak, porta-voz do primeiro-ministro tailandês, numa entrevista à agência EFE. “As crianças estão bem e felizes. Depois de terem ficado presos na caverna, dizem que ganharam muita experiência.”

Sob os holofotes mundiais, 11 dos Javalis Selvagens fizeram um retiro espiritual, em homenagem ao mergulhador que morreu no seu resgate. E ainda foram ordenados aprendizes de monges. A exceção foi Samon, de 14 anos, que é cristão. Ele foi um dos protagonistas da história, por ser o único que falava inglês e, portanto, intermediador da comunicação entre as equipes de resgate e os seus companheiros.

Outra mudança-chave para três dos meninos e para o treinador foi terem deixado de ser apátridas. Embora nascidos na Tailândia, eles não tinham nacionalidade reconhecida oficialmente. Depois do resgate, o governo prometeu conceder-lhes a cidadania. Um deles era Adun, que não tinha nem certidão de nascimento. A partir de então, eles puderam tirar seus passaportes e viajar ao exterior.

Muitos apátridas na Tailândia — no total, são 486 mil pessoas identificadas nesta condição no país pela ONU, mas há quem estime que o número chegue a 3,5 milhões — vêm de áreas onde as fronteiras nacionais mudaram nos últimos anos. Alguns pertencem a tribos que vivem em áreas remotas, com acesso limitado a informações sobre procedimentos de nacionalidade.

Segundo a ONG britânica e cristã Compassion UK, que afirma ajudar financeiramente Adun desde os seus 7 anos, ele sonha em ser médico. Além disso, diz a organização, ele recebeu uma bolsa integral para estudar numa escola em Nova York que o prepará para entrar numa universidade. Uma chance improvável para um jovem nascido numa pobre família apátrida e parte da etnia Lua, que, por não ter nacionalidade tailandesa, costuma ter dificuldades para acessar serviços de saúde e educação.

 

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