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Um apagão interrompeu uma entrevista coletiva do presidente da Venezuela

Nicolás Maduro discursava contra o envio de ajuda humanitária ao país. (Foto: Reprodução)

Uma suposta falha elétrica interrompeu uma entrevista coletiva do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, no palácio presidencial de Miraflores, em Caracas. Ele falava sobre a entrada de ajuda humanitária no país quando a sala ficou às escuras e o canal VTV cortou a transmissão.

O apagão foi uma das consequências da falha elétrica que afetou diversas zonas da capital e do Estado de Miranda. A Corporação Elétrica Nacional, estatal que comanda o setor, não informou a causa da queda de energia.

Os apagões têm sido cada vez mais frequentes na Venezuela. Apesar de o governo de Maduro garantir que o país não enfrenta uma crise energética, essa não foi a primeira vez que esse tipo de falha interrompe um ato oficial do presidente.

De acordo com veículos da local, no mês passado ao menos dois pacientes morreram em um hospital de Caracas. Motivo: ambos estavam internados na UTI e os aparelhos de suporte vital se desligaram durante um longo apagão.

Discurso

Enquanto havia luz no palácio, deu tempo para que Maduro, em seu discurso, voltasse a criticar a proposta da oposição Venezuela em enviar ajuda humanitária ao país, com ajuda da Colômbia e dos Estados Unidos. Ele disse que a iniciativa “não passa de um show” e rechaçou taxativamente qualquer negociação que não conte com a mediação de México, Uruguai e países do Caribe.

O choque entre o chavismo e a oposição, esperado há dias pelo envio de ajuda humanitária, tem ganhado força com o passar do tempo. A chegada dos primeiros caminhões com alimentos e remédios aos centros de aprovisionamento da cidade fronteiriça de Cúcuta, na Colômbia, coincidiram com o fechamento da ponte de Tienditas por parte das autoridades venezuelanas.

“A Venezuela não permitirá o show da ajuda humanitária falsa, porque não somos mendigos de ninguém”, disse Maduro em uma entrevista coletiva em Caracas. Para ele, a emergência humanitária e a escassez de alimentos e remédios “é um discurso fabricado em Washington para engrossar a tentativa de intervenção”.

Maduro também voltou a insinuar a ideia de que, por trás dos comboios que a oposição pretende obter para o país, esconde-se uma ingerência militar por parte dos Estados Unidos. Praticamente ao mesmo tempo, o autoproclamado “presidente interino” Juan Guaidó afirmou que se o governo de Caracas não permitir a ajuda, convocará seus seguidores a abrirem um “canal humanitário”, por meio de uma rede de voluntários.

Eleições presidenciais

Maduro descartou convocar eleições presidenciais, como pedem todos os grupos que procuram uma solução à crise. O líder chavista tomou posse para um segundo mandato de seis anos em 10 de janeiro e, ainda que segundo o Parlamento e as principais instâncias internacionais esteja usurpando seu cargo após eleições realizadas sob suspeitas de fraude e sem rivais de peso, recusa uma volta às urnas. Sua única oferta, que já fez anteriormente e reiterou na sexta-feira, é antecipar as eleições legislativas.

“O diálogo precisa ser com agenda aberta, não para impor condições ao país. Quais são as prioridades dos venezuelanos? Realizar eleições? Acho que não”, disse ao ser perguntado sobre o assunto. “Se convocássemos eleições [presidenciais], inventariam qualquer coisa para não participar. Como aconteceu em 2017”, continuou em referência à oposição ao chavismo que se recusou a participar. Essa decisão se deveu, principalmente, à imposição das regras do jogo da convocatória e ao fato de seus principais dirigentes estarem proibidos de concorrer.

Maduro atacou Guaidó e tentou demonstrar que seu desafio não é válido. “Se a palhaçada deles de assumir a presidência interina tivesse algum valor, já deveriam ter convocado eleições, como eu fiz em 2013. Foi a primeira coisa que fiz. Eles dizem que irão esperar 12 meses”, continuou antes de chamar de golpista o presidente da Assembleia Nacional. “Não querem eleições, querem um golpe de Estado. Como Pinochet. Eles querem impor um Pinochet à Venezuela.”

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