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Um ato simbólico marcou o início da construção de um novo hospital na Santa Casa de Porto Alegre, com quase 200 leitos

Obra será viabilizada por doação de R$ 60 milhões de um casal de empresários (C). (Foto: Gustavo Mansur/Palácio Piratini)

A partir de abril de 2022, a Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre contará com uma oitava unidade, o Hospital Nora Teixeira. Oficialmente, a construção começou nessa sexta-feira, com o lançamento da pedra fundamental.

Além das sete unidades (todas localizadas no Centro Histórico da capital gaúcha), a instituição conta com o Hospital Dom João Becker, em Gravataí. Há, ainda, o Hospital de Santo Antônio da Patrulha, que não pertence ao grupo mas que funciona sob o seu gerenciamento.

Para construir o Hospital Nora Teixeira, a Santa Casa investirá R$ 177 milhões. A iniciativa será viabilizada pela doação de R$ 60 milhões, sem qualquer benefício fiscal, feita pelo casal de empresários Alexandre Grendene e Nora Teixeira. Eles já haviam anunciado R$ 40 milhões para a obra e aproveitaram o evento dessa sexta-feira para informar o repasse de mais R$ 20 milhões.

O governador Eduardo Leite elogiou a atitude beneficente: “Este é um gesto muito bonito, que serve de inspiração para todos, mesmo aqueles que não possuem recursos financeiros. Cada um pode fazer sua parte com atos de cidadania, dedicando talento e capacidade”. O vice-prefeito de Porto Alegre, Gustavo Paim, também fez um agradecimento especial, entregando a Alexandre e Nora uma medalha de distinção.

“A grandiosidade da Santa Casa faz com que eu queira dedicar meus esforços”, emocionou-se Nora Teixeira. “Eu percebi que precisávamos de uma emergência para o SUS [Sistema Único de Saúde] e resolvemos dar um impulso para que isso acontecesse. É um dia muito especial para mim.”

Estrutura

O futuro hospital terá um novo setor de emergência, dedicado a atender pacientes vinculados ao SUS. Estão previstos 27 leitos de UTI, 30 leitos de internação obstétrica, 37 de internação traumatológica, 37 de internação cirúrgica e bariátrica, 37 de internação oncológica e 30 de internação multiuso. A previsão de entrega é de 37 meses.

Na avaliação do diretor da Santa Casa, Julio Matos, a oitava unidade permitirá maior sustentabilidade à instituição, pois os seus 13 andares também oferecerão atendimentos particulares e conveniados: “A nossa emergência tinha muitas limitações estruturais, não seria possível fazer uma reforma para ampliá-la. Com freqüência, tínhamos de restringir o atendimento. Além da sustentabilidade, o novo hospital ampliará o atendimento a pacientes do SUS.”

A Santa Casa também está investindo R$ 150 milhões, garantidos pela bancada federal gaúcha, que possibilitarão a reforma de toda a área assistencial do SUS.

Após o descerramento da placa, uma cápsula do tempo foi enterrada no local para ser aberta em 100 anos. Em seu conteúdo foram inseridas notícias sobre a instituição, um álbum com fotos que registra a história da emergência do SUS no hospital e o projeto arquitetônico da oitava unidade.

Desempenho

Em 2018, a Santa Casa realizou mais de 1 milhão de consultas, quase 60 mil internações, 67,1 mil cirurgias e 6,5 milhões de serviços de diagnóstico. Cerca de 70% da clientela é segurada do SUS, definido pelo governo do Estado como “um órgão deficitário de longa data”.

A instituição tem o desafio de gerar recursos próprios para viabilizar o custeio do prejuízo originário do subfinanciamento de assistência do Sistema Único de Saúde. Somente no ano passado, esse valor foi de R$ 164 milhões, cobertos pela instituição por meio de receitas de outros convênios e particulares, a fim de garantir equilíbrio econômico e financeiro.

(Marcello Campos)

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