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Um celular com realidade aumentada começa a ser vendido nos Estados Unidos

O diferencial do aparelho é um sistema de três câmeras. (Foto: Reprodução)

Nesta quinta-feira (03), a Asus começou a vender on-line o novo smartphone ZenFone AR desbloqueado nos Estados Unidos por 599 dólares. No começo desta semana, a empresa havia iniciado as vendas do aparelho, mas ele só podia ser comprado bloqueado na Verizon por 648 dólares.

O ZenFone é o segundo smartphone com suporte para a tecnologia de realidade virtual do Google, o Tango. Ele possui um processador Snapdragon 821 com quatro núcleos, sua tela AMOLED é de 5,7 polegadas, a bateria de longa duração tem 3,300mAh. O diferencial do aparelho, porém, há um sistema de três câmeras, cada uma com 23 megapixels, capazes de mapear o mundo ao redor, o que permite diversas aplicações em realidade aumentada.

Assim, o aparelho é o primeiro smartphone de alta performance a usar a tecnologia de realidade virtual do Google, já que o Lenovo Phab 2 Pro – primeiro celular a usar o Tango – é um smartphone intermediário, com especificações inferiores às do ZenFone.

Realidade aumentada

Adicionar uma camada de informações virtuais ao mundo real, com ajuda de uma tela ou lente. Essa é a ideia por trás da realidade aumentada, tecnologia que foi apresentada ao mundo em 2016 por um dos grandes sucessos dos games na temporada: Pokémon Go. Com mais de 500 milhões de downloads, o jogo que fez todo mundo caçar monstrinhos na tela do celular é uma amostra do potencial da realidade aumentada, que pode mudar radicalmente o mundo do trabalho no futuro. De acordo com um relatório da consultoria Markets & Markets, o mercado global de realidade aumentada poderá movimentar 117,4 bilhões de dólares em 2022. Menos otimista, um estudo divulgado pelo banco Goldman Sachs no início de 2016 aposta que as tecnologias de realidade aumentada em conjunto com a realidade virtual valerão 80 bilhões de dólares até 2025. “Pokémon Go fez as pessoas se acostumarem a ver informações na tela de um jeito diferente, mas era rudimentar. O jogo não interagia com o mundo real”, avalia Tuong Nguyen, analista de pesquisas da consultoria Gartner.

Ao contrário de sua “prima” realidade virtual, que aposta na imersão para entreter os usuários com jogos e experiências audiovisuais, a realidade aumentada deve ter sua principal aplicação na área corporativa. Isso porque os dispositivos com alto poder de processamento para suportar a realidade aumentada ainda estão em fase de desenvolvimento e/ou são bastante caros: o Hololens, óculos revelados pela Microsoft em janeiro de 2015, são hoje vendidos nos EUA e em outros sete países em uma versão para desenvolvedores por 3 mil dólares – ainda não há previsão para venda no Brasil.

“É um dispositivo caro para os consumidores – mesmo para quem for empolgado com tecnologia e quiser jogar Minecraft numa mesa”, avalia Nguyen, da Gartner. A própria Microsoft reconhece que, no primeiro momento, o dispositivo será mais acessível para o uso corporativo. “É um notebook colocado em um óculos na cabeça do usuário. Até chegarmos em uma economia de escala, sabemos que os primeiros beneficiários serão as empresas”, diz Richard Chaves, diretor de inovação da Microsoft Brasil.

Para Nguyen, a realidade aumentada deve mudar radicalmente três áreas importantes: design, educação e treinamento, além de serviços de manutenção e inspeção. “Pense que você é um técnico que precisa ir a campo. Todas as informações do seu manual poderão estar nos óculos. Caso você erre algo, poderá transmitir um vídeo para seu chefe – e ele poderá te ajudar ou assistir depois”, diz o analista da Gartner.

A Microsoft não trabalha com estimativas de quantos exemplares do Hololens pretende vender, mas o potencial é alto: segundo dados da consultoria Pricewaterhouse Coopers, existem 110 milhões de trabalhadores “sem mesa” em todo o mundo, que poderiam ser mais produtivos usando óculos de realidade aumentada.

E esse é um mercado que não deve ficar só com a Microsoft: outras gigantes já demonstraram interesse no setor. A sul-coreana Samsung diz trabalhar em um dispositivo próprio, enquanto o Google aposta na MagicLeap, startup da Flórida cujos primeiros testes impressionam – com direito a baleias no meio de um auditório. Para Nguyen, da Gartner, o cenário não ficará restrito apenas às grandes empresas. “Ainda há muita inovação a ser feita”, diz o analista. “Como pouca gente está usando esses aparelhos, as pessoas ainda não estão influenciadas por marcas.” (AE)

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