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Um dos fundadores do aplicativo Instagram diz que o software das câmeras de celulares continuará evoluindo: “As pessoas não precisam mais carregar uma câmera profissional e um conjunto de lentes. Elas carregam o celular”

Criador do app comprado pelo Facebook. (Foto: AG)

Nascido em São Paulo, o sonho de Mike Krieger era ser jornalista. Mas na Universidade Stanford, onde se graduou, teve contato com o mundo das startups e, ao lado de Kevin Systrom, fundou o Instagram. O aplicativo foi comprado pelo Facebook por US$ 1 bilhão em 2012 e hoje tem mais de 700 milhões de usuários.

Qual foi a importância da negociação com o Facebook?

A gente tinha apenas dois anos de vida, e a ideia não era vender o negócio. A gente tinha acabado de passar por uma rodada de investimentos, e poderíamos ter tocado por mais alguns anos. Mas a gente gostou muito da conversa com Mark Zuckerberg, que nos ofereceu a oportunidade de nos mantermos independentes. Tivemos a chance de continuar operando e levar o produto para uma empresa global. Éramos 13 funcionários, incluindo eu e o Kevin, com apenas seis engenheiros. Era uma crise diária. Eu acordava constantemente de madrugada porque o servidor tinha caído ou apresentado outros problemas. Também há as áreas de recursos humanos, legal, fiscal e de relacionamento com governos, que o Facebook já desenvolvia. Foi uma oportunidade de manter o foco no que a gente ama, que é o produto, e deixar a burocracia de lado, mas com independência.

Houve pressão para faturar?

Foi o oposto. Eles falaram: “Não se preocupem, a gente está indo muito bem.” Mas eu e Kevin queríamos começar com os anúncios logo. Quanto mais você espera, mais difícil é começar. O usuário estranha. E ao chegar ao Facebook, a gente conseguiu contato com o mundo de relacionamento que eles têm com agentes e clientes.

E hoje o Instagram já está no azul?

A gente faz parte de uma empresa que está indo muito bem.

Na relação com o Facebook, como fica a questão da privacidade? Como os dados são compartilhados?

A gente colabora quando acha que vai criar uma experiência melhor para o usuário. O anúncio é um exemplo. A gente usa dados de ambos os produtos, porque talvez você tenha um interesse no Facebook, mas que o anúncio seja melhor no Instagram, e vice-versa.

Como é o relacionamento das empresas no desenvolvimento dos produtos? O Facebook lançou o Stories, que vocês anunciaram há seis meses.

A gente compartilha quando perguntam, não existe segredo. O Mark acredita que se os dois estiverem construindo ferramentas parecidas, que construam, e os usuários vão dizer o que preferem. Existem grupos de discussão sobre os produtos, e você pode acompanhar o desenvolvimento de todos os produtos do Facebook. Não existe ficar isolado.

De onde surgiu a ideia do Stories?

A gente percebeu que as pessoas estavam criando uma segunda conta para momentos mais informais. A ideia do Stories é contar os bastidores da sua vida, é para dar contexto, contar uma história. E as pessoas adoraram. Dos 700 milhões de usuários, 200 milhões usam o Stories todos os dias.

O Instagram foi criticado por adotar uma função do Snapchat…

Na indústria de tecnologia, acontece muito disso, de remixes. Uma empresa cria uma ideia nova, outra pega e une a outro produto, daí esse remix pode acabar voltando para a empresa original. O Instagram não foi o primeiro aplicativo a ter fotos, nem o primeiro a ter filtros, nem o primeiro a ter rede de seguidores. Mas a gente fez uma combinação desses elementos e criou um novo uso.

Como manter a simplicidade com tantas ferramentas?

É interessante, porque existem tensões. A gente quer ouvir o que os usuários pedem, mas também não quer um produto que pareça um Frankenstein. Seguimos duas regras: a primeira é a simplicidade de cada recurso, e a segunda é não criar um monte de ilhas isoladas. A gente quer um ecossistema.

Como vê o empreendedorismo no Brasil?

Não comparo com o Vale do Silício, são realidades diferentes. Bons engenheiros e designers, o talento principal, isso o Brasil tem. Tem a questão dos investidores, que estão se desenvolvendo. Sobre mercado, o do Brasil é grande, e existe a opção de expandir para a América Latina. Estou pensando muito em como investir no Brasil. Existem empresas aparecendo, e estou pensando em como ajudar. O Júlio Vasconcelos (fundador do Peixe Urbano), eu e alguns parceiros formamos um fundo, o Canary.

Como vê o futuro da fotografia?

O próximo grande avanço é a fotografia computacional. Um exemplo disso é o novo iPhone, que tem duas câmeras. Você pode fazer um retrato e aplicar o efeito bokeh. Normalmente, seria preciso uma lente muito maior, mas o iPhone faz isso no software. As pessoas não precisam mais carregar uma câmera profissional, um conjunto de lentes, elas carregam o celular. As câmeras vão continuar evoluindo, mas não pelo hardware. O sensor não vai ficar muito maior, mas o que vai avançar muito, agora que os celulares têm boas placas gráficas, é o software. Hoje, é possível dar efeito de profundidade, algo impossível há três anos. (AG)

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