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Um em cada quatro postos de dirigente no Ministério do Meio Ambiente está vago

Áreas mais prejudicadas são ligadas à biodiversidade e gestão de florestas. (Foto: LuBasi/CC)

Os corredores do MMA (Ministério do Meio Ambiente) andam vazios. Dos 184 cargos em comissão e de funções de confiança da pasta, 44 — o equivalente a 24% — estão vagos. O problema começa já nas secretarias, que são a principal ramificação da cúpula: das seis, duas estão sem titular, as responsáveis pela gestão de biodiversidade e florestas.

Ambientalistas culpam o ministro Ricardo Salles de liderar esforços para murchar sua própria pasta, levando-a até a erradicação. No ano passado, o presidente Jair Bolsonaro anunciou sua intenção de extinguir o MMA, mas recuou diante da pressão internacional.

“Agora, estamos vendo acontecer o plano B, que é acabar com o ministério por dentro”, diz Marcio Astrini, coordenador de Políticas Públicas do Greenpeace. “O atual ministro é só o funcionário que cumpre as ordens do chefe.”

A situação é mais crítica na Secretaria de Florestas e Desenvolvimento Sustentável, que, entre outras baixas, não tem secretário nem titulares para seus dois departamentos. A Secretaria de Biodiversidade, outra sem comando, não tem um responsável pela área de patrimônio genético, e perdeu nesta semana a diretora do departamento que administra a conservação e o manejo de espécies.

Secretária-executiva da Ascema (Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente), Beth Uema denuncia a “falta de transparência” do ministério.

“É natural que um governo seja empossado com uma nova proposta e, por isso, troque alguns dirigentes. Mas aparentemente tudo está sendo feito de forma aleatória. Não há transparência, nada do que se fala se escreve. Sabemos das mudanças apenas pelo Diário Oficial”, protesta. “Não sabemos se a extinção de cargos interessa o governo, já que eles são considerados uma moeda de troca no Congresso.”

Segundo Uema, as últimas exonerações nas chefias da pasta demonstrariam o interesse de tirar completamente a gestão das áreas verdes do MMA. Este papel caberia definitivamente ao Ministério da Agricultura, que tem sob sua alçada o Serviço Florestal Brasileiro, dominado por ruralistas.

“A Secretaria de Recursos Hídricos do MMA está cada vez mais destinada à agenda do Ministério do Desenvolvimento Regional”, lamenta Uema. “A administração da água, então, perde o foco ambiental, e ela passa a ser vista apenas como uma commodity.”

O MMA não comentou as vacâncias de cargos. Na sexta-feira (15), Salles estava na Assembleia Ambiental das Nações Unidas em Nairóbi, no Quênia, onde costurou uma parceria com a Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional, que prevê financiamentos de US$ 100 milhões para projetos na Amazônia.

Salles também pediu mais esforços para combater eventos extremos, que, segundo ele, podem “atingir mais duramente as populações vulneráveis”. Ao tomar posse na pasta, porém, o ministro erradicou a secretaria dedicada ao estudo sobre mudanças climáticas.

Segundo um ex-integrante do MMA exonerado neste ano, os funcionários que demonstram contrariedade com as novas diretrizes da política ambiental enfrentam represálias.

“Quem discorda do alinhamento político é deslocado para áreas que não são interessantes, como diretorias de unidades de conservação na Amazônia”, destaca.

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