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Um engenheiro americano passou um ano vivendo numa caçamba de lixo para aperfeiçoar sua ideia de um novo modelo de casa de alta tecnologia

"A Kasita é a primeira casa projetada com um pacote de softwares para produtos, por designers de produto", diz Wilson. (Foto: Divulgação)

O texano Jeff Wilson se tornou conhecido por um experimento inusitado: viver, com o mínimo possível, dentro de uma caçamba de lixo no campus da Universidade Huston-Tillotson, em Austin, nos EUA, onde era professor na faculdade de Ciências Ambientais. Por um ano, o engenheiro passou as noites espremido em menos de quatro metros quadrados. Do aperto surgiu a start-up Kasita, que pretende revolucionar o modelo de habitação. “O que foi surpreendente é que em muitos aspectos a minha vida se tornou muito melhor do que quando eu vivia numa casa grande”, disse Wilson.

1) Por que viver numa lixeira?

Foi parte de um experimento sobre o desperdício e as necessidades de uma pessoa para uma vida feliz e satisfatória. Vendi todas as minhas posses, com exceção de uma mochila com algumas coisas. E, na caçamba de lixo, um símbolo do desperdício, eu tentei viver com 1% da energia e 1% da água, produzindo 1% dos rejeitos de um americano médio.

2) E conseguiu?

Sim! Eram menos de quatro metros quadrados. Eu meço 1,85 metro, e a lixeira era um quadrado com 1,80 metro de lado. Nem era grande o suficiente para eu me deitar esticado em uma lateral. O que foi surpreendente é que, em muitos aspectos, a minha vida se tornou muito melhor do que quando eu vivia numa casa grande.

3) Melhorou em que aspecto?

Quando eu vivia numa casa grande no subúrbio, precisava pegar o carro de manhã e dirigir por 45 minutos até o trabalho. Na lixeira, eu vivia literalmente dentro do campus. Da minha casa até o trabalho eu levava 45 segundos. Em vez de ter 27 camisas e pensar todos os dias qual eu vestiria, eu tinha apenas três. Em vez de pagar US$ 2 mil por mês no financiamento da minha casa, eu não gastava nada. Então, tinha mais dinheiro para viajar, comer em bons restaurantes. Enfim, para gastar com experiências, em vez de manter uma casa.

4) O experimento durou quanto tempo?

Eu fiquei lá por um ano, de fevereiro de 2014 até fevereiro de 2015. Eu passei um total de 273 noites na lixeira. Nos outros dias, eu estava viajando ou com amigos. E também fiquei fora alguns dias para deixar outras pessoas que queriam saber como é viver numa lixeira.

5) O experimento serviu de inspiração para a Kasita?

Totalmente. A ideia surgiu numa noite, quando pensei que o nosso modelo de habitação está totalmente errado. Nós devíamos construir casas como fabricamos smartphones. Devemos montar uma companhia que, essencialmente, construa casas como produtos. Pensei em tudo o que aprendi sobre a construção de uma casa, da falta de inovação do setor, e olhei companhias como a Tesla e a Apple. Então, a Kasita é a primeira casa projetada com um pacote de softwares para produtos, por designers de produto.

6) A Kasita já está a venda?

Nós já vendemos nos EUA, na Califórnia, no Texas, na Geórgia e em Nevada. Mas nós estamos tentando construir não apenas uma nova casa, mas uma plataforma para mudar a forma como as pessoas vivem e viajam. No futuro, teremos Kasitas espalhadas por todo o mundo, e as pessoas se mudarão entre elas, com todas as suas coisas e seus ajustes de tecnologia. Então, os membros poderão fazer o check-in em qualquer Kasita no mundo e terão a casa ajustada com as suas preferências. Se você assiste à TV Globo, vai ter ela configurada na televisão, junto com a sua conta do Netflix, por exemplo. Se tem um suco preferido, ele vai estar na geladeira. É isso o que você encontra em qualquer outra plataforma tecnológica.

7) Quanto uma Kasita custa?

Nós pensamos o preço-base como os primeiros carros da Tesla. Foram produzidos só 50, que eram mais caros que os veículos tradicionais. Hoje, as Kasitas custam, em média, US$ 150 mil. Não estamos tentando solucionar o problema de moradias, mas focando numa nova plataforma de habitação.

8) Todas as Kasitas são iguais?

Se a Apple fosse construir cada iPhone de maneira única, ele custaria centenas de milhares de reais, talvez milhões de reais. Mas quando você faz um produto no mesmo molde, pode construir em massa, reduzindo os custos e, o mais importante, pode individualizar a experiência. Quem compra um iPhone ou um Samsung Galaxy pensa nesses produtos como seus telefones, mesmo eles sendo iguais a todos os outros. Essa sensação acontece por causa dos aplicativos, da personalização. Estamos tentando fazer isso na arquitetura, tornando a experiência de viver rica em tecnologia, conveniente e totalmente moldada ao indivíduo, desde a temperatura do ambiente à iluminação.