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Gaúcho apontado pela Operação Lava-Jato como doleiro em esquemas de corrupção é encontrado morto dentro de casa em Porto Alegre

Antonio Albernaz chegou a ser preso duas vezes pela Polícia Federal, em 2016 e 2018. (Foto: Reprodução/Facebook)

No início da tarde desse domingo, o engenheiro agrônomo Antônio Claudio Albernaz Cordeiro foi encontrado morto em sua casa, localizada em um condomínio residencial na Vila Assunção, na Zona Sul de Porto Alegre. De acordo com a Brigada Militar (acionada pela empregada da residência, por meio do telefone 190), a hipótese mais provável é suicídio.

Também conhecido pelo apelido de “Tonico”, ele havia sido alvo da PF (Polícia Federal) em pelo menos dois mandados de prisão, em março de 2016 e maio do ano passado, respectivamente no âmbito das operações “Xepa” e “Câmbio, Desligo”, desdobramentos da Lava-Jato. Ele também foi citado na Operação Étimo, em 2017.

Ambas as prisões – junto com outros três irmãos – foram motivadas pela suspeita de que Albernaz fosse um dos operadores do esquema de corrupção na Petrobras. Ele teria atuado como doleiro em esquemas de contabilidade paralela para pagamento de vantagens indevidas, lavagem de dinheiro e remessa ilegal de dinheiro ao exterior (em países como o Panamá e Suíça), envolvendo a empreiteira Odebrecht.

Na segunda prisão, Alberbaz obteve novamente a liberdade, por determinação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes. A volta para casa se deu mediante uma série de exigências, como o impedimento de deixar o Brasil e a proibição de manter contato com outros investigados no processo.

A decisão do magistrado, na ocasião, considerou excessiva a ordem de prisão preventiva, que havia sido decretada pelo juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. Quando isso ocorreu, um dos irmãos de Cordeiro, Athos Roberto, além de outros três operadores financeiros, já haviam sido beneficiados com habeas corpus pela Corte.

Durante os dias em que esteve detido em 2016 (ele chegou a ser levado para depoimento em Curitiba), “Tonico” negou atuar em operações de câmbio. Mas forneceu detalhes sobre movimentações em dinheiro-vivo – algumas delas milionárias – em seu escritório na avenida Ceará, na Zona Norte de Porto Alegre. Os beneficiários seriam caciques do MDB como o então ministro Moreira Franco, preso na semana passada junto com o ex-presidente Michel Temer.

Investigação

A Polícia Civil também deve partir da linha investigativa de que Antônio Claudio Albernaz Cordeiro tirou a própria vida – ainda não há detalhes confirmados sobre quando e como se deu o óbito. Um inquérito já está sendo aberto nesta semana para apurar a causa e circunstância da morte do engenheiro e doleiro.

Além do laudo pericial, familiares e conhecidos serão ouvidos e dados de telefone celular serão analisados. A apuração do caso ficará sob a alçada da 4ª DPHP (Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa).

Após a confirmação da morte do engenheiro agrônomo, o seu advogado de defesa, Antônio Tovo, evitou fazer declarações mais detalhadas sobre o incidente desse domingo. “Eu não estou autorizado e não gostaria de comentar mais nada”, limitou-se a dizer.

(Marcello Campos)

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