Terça-feira, 10 de Dezembro de 2019

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Brasil Um tabelião investigado por esquema que “ressuscita” donos de imóveis foi preso no Rio

Homem de 73 anos foi detido em flagrante por suspeita de suborno. (Foto: Divulgação)

Usando a estratégia de “ação controlada”, agentes da 58ª Delegacia Policial (Posse) prenderam, em flagrante, o tabelião Casemiro Silva Netto, 73 anos, no início da tarde de quinta-feira (14), no Centro do Rio de Janeiro (RJ), por suspeita de suborno. Os policiais simularam que aceitariam a propina oferecida por Netto, um dos investigados na Operação Lázaro, para dar o flagrante. A ação foi filmada pelos agentes. As informações são do jornal O Dia.

Segundo os policiais, o tabelião ofereceu a quantia de R$ 40 mil divididos em duas parcelas, de R$ 15 mil e uma de R$ 10 mil, para que “sumissem” as provas contra ele existentes no inquérito e para que os agentes parassem de investigá-lo. Netto havia marcado um encontro com o delegado Adriano Marcelo Firmo França, titular da 58ª DP, em uma cafeteria em Nova Iguaçu (Região Metropolitana do Rio), no último dia 6, e lá combinou de entregar a primeira parcela do pagamento, no dia 14, em um escritório de advocacia, no Centro do Rio. No local, assim que deu o dinheiro a uma policial, o tabelião recebeu voz de prisão. Ele foi levado para a 5ª DP (Mem de Sá), onde foi preso por corrupção ativa. O dinheiro foi apreendido.

De acordo com um dos agentes, o tabelião já poderia ter sido preso quando insinuou a oferta de vantagens aos agentes, utilizando as seguintes frases: “vamos ser amigos”, “me ajuda que eu ajudo vocês” e “vamos resolver esse problema”. Porém, para dar mais robustez à investigação, optaram por postergar o flagrante e usar o instrumento da ação controlada, que foi autorizada e acompanhada pelo Ministério Público e pelo juízo da 1ª Vara Criminal.

A Operação Lázaro investiga uma quadrilha que “ressuscitava” donos de imóveis já falecidos, para vender as propriedades a terceiros. Em uma das fraudes, a organização criminosa (Orcrim) negociou um terreno na Rodovia Presidente Dutra, Nova Iguaçu, avaliado em R$ 7 milhões. Entre os cartórios suspeitos de integrarem o esquema estão o 10° Ofício de Notas e o 2° Ofício de Registros de Imóveis, ambos de Nova Iguaçu. No entanto, os policiais acreditam que outros cartórios façam parte da Orcrim.

A operação foi batizada como Lázaro, em virtude da passagem bíblica em que ele foi ressuscitado por Jesus Cristo. A investigação, iniciada em fevereiro, corre em sigilo. Até agora já foram cumpridos 22 mandados de busca e apreensão em Nova Iguaçu e nos bairros do Flamengo, Laranjeiras e Barra da Tijuca, no Rio.

Foram confiscados livros de registros dos cartórios, um revólver calibre 38 e cerca de R$ 7 mil. Apesar de os crimes descobertos terem sido praticados na região da Baixada Fluminense, os agentes suspeitam que a quadrilha agia em todo o Estado, inclusive na capital fluminense.

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