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Um taxista teria transportado a propina do ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras em sacos de dinheiro

Aldemir Bendine foi preso em julho deste ano. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O relato de um motorista de táxi ouvido como testemunha pela Operação Lava-Jato indica que suposta propina de R$ 3 milhões da Odebrecht, que teria sido destinada ao ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil Aldemir Bendine, pode ter sido paga em dinheiro vivo, transportado em sacos plásticos.

Marcelo Marques Casemiro contou que no dia 17 de julho de 2015 foi contratado por um publicitário de Recife para ir a um edifício residencial no Paraíso, na Zona Sul de São Paulo, para receber uma “encomenda”. Segundo a Lava-Jato, tratou-se da primeira parcela da propina de R$ 1 milhão.

Em depoimento prestado à PF (Polícia Federal) de Curitiba em 22 de março, o taxista afirmou que foi pago pelos proprietários da Arcos Propaganda, Antônio Carlos Vieira da Silva Júnior e André Gustavo Vieira da Silva – também presos e investigados por lavagem de dinheiro – para receber “encomendas de uma pessoa” no apartamento 43 do Condomínio Option Paraíso em outras duas datas: em 24 de junho e em 1º de julho.

O taxista disse que quando Antônio Júnior o contratava “e lhe pedia para receber ‘encomendas’, lhe passava também as senhas que teria de dizer ao ‘entregador’” – oceano, rio e lagoa.

O taxista afirmou que não sabia que havia dinheiro nos pacotes e que “limitava-se a receber essas encomendas e as deixava no interior do apartamento, permanecendo a chave na portaria do prédio”.

As senhas mencionadas pelo taxista correspondem às anotadas nos registros do setor de operações estruturadas da Odebrecht. Essas mesmas palavras foram confirmadas pelos delatores da Odebrecht em seus depoimentos à PGR (Procuradoria-Geral da República).

A PF descobriu que o apartamento onde o dinheiro era apanhado pelo motorista estava alugado em nome do proprietário da Arcos. Nas buscas realizadas pela “Operação Cobra”, os policiais localizaram o contrato de locação do imóvel no computador de Antônio Carlos da Silva Vieira Júnior.

O taxista foi o segundo testemunho que relaciona o transporte de valores em espécie a Bendine. O também motorista Sebastião Ferreira da Silva, que trabalhou na Petrobras, já havia dito ao MPF (Ministério Público Federal) que levou dinheiro a empresários a pedido do executivo – ele nega.

De acordo com o MPF, Bendine chegou a exigir propina de R$ 17 milhões da Odebrecht quando ainda ocupava a presidência do Banco do Brasil, em junho de 2014. Em dezembro daquele ano, a Odebrecht informou a Bendine que não concordava com o valor, de acordo com os investigadores.

Ainda segundo a Lava-Jato, em fevereiro de 2015, pouco antes de assumir a presidência da Petrobras, Bendine voltou a exigir propina, dessa vez no valor de R$ 3 milhões, que seria repassada por intermédio de André Gustavo, apontado como seu operador. Os delatores da Odebrecht contaram que Bendine se reuniu com Marcelo Odebrecht na residência de André Gustavo, em Brasília, para definir o modo de pagamento da propina.

Foi o doleiro Alvaro Galliez Novis o responsável por fornecer os valores, por meio da conta “Paulistinha”, de acordo com as planilhas de propinas da Odebrecht e os relatos dos delatores.

O MPF disse que André Gustavo assumiu ter recebido o dinheiro relacionado a Bendine, “embora tenha adotado condutas para ocultar e dissimular a origem e a natureza criminosa dos valores auferidos”.

A análise de mensagens telefônicas trocadas por Bendine e André Gustavo corrobora a versão do delator Fernando Reis, ex-presidente da Odebrecht Ambiental. “André Gustavo tinha acesso a informações internas, privilegiadas e confidenciais da Petrobras, fornecidas por Aldemir Bendine”, afirmou o MPF.

A procuradoria identificou 82 contatos telefônicos mantidos por Bendine com André Gustavo.

A defesa de Aldemir Bendine questiona as versões dos delatores da Odebrecht e afirma que o ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras nunca se envolveu em irregularidades ou em corrupção.

O advogado Piepaolo Cruz Bottini diz que não existem “indícios de que os valores tenham sido entregues a Bendine”. (Valor)

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