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Uma breve história do governo Temer

(Foto: Folhapress)

O presidente da República, Michel Temer, desembarca nesta segunda-feira no Rio Grande do sul para um ato simbólico de apoio à área da saúde: a entrega de ambulâncias a dezenas de municípios gaúchos. Desde que assumiu a Presidência, por força de uma decisão constitucional do processo de impeachment comandado pelo ministro Ricardo Lewandowski, presidente do Supremo Tribunal Federal, Michel Temer deu início a uma tarefa que tinha tudo para dar errado.

A herança recebida assim o indicava: um País quebrado, e as alavancas para reverter a situação – o agronegócio, a balança comercial, e estatais como a Petrobras – completamente dilaceradas por uma política populista que desconhecia o ditado simples de que “não existe almoço grátis”.

A tarefa não tem sido fácil. Mesmo com apoio próximo dos 90% do Congresso Nacional, algo indispensável neste arremedo de parlamentarismo que vivemos, Michel Temer tem conseguido implementar as ações que foram trazidas por um expert em gestão de crises e mercado: o ex-presidente do Banco de Boston, o ministro Fazenda, Henrique Meirelles.

“Governar o governo”

Apesar de alguns tropeços, na medida em que para governar precisava primeiro “governar o governo” como costuma afirmar seu maior estrategista, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, precisaria trabalhar também com o “material” disponível para formar uma equipe com trânsito político, em meio a uma sucessão de sobressaltos gerados pela investigação da Operação Lava-Jato.

Os avanços hoje, já são visíveis, pelo menos aos olhos dos que desejam comparar gestão com gestão: a atual gestão, com o que havia antes.

São tantas as medidas históricas sucessivamente adiadas nos últimos 13 anos – renegociação das dívidas dos Estados, reforma do ensino básico, reforma da previdência, mudança nos critérios de nomeações nas estatais, mudança nos mecanismos de financiamento da saúde, mudança no cumprimento dos orçamentos futuros, com o teto de gastos e, mais recentemente, atenção excepcional à política carcerária e de segurança – que Michel Temer já poderia deixar seu nome na história, tão logo aprove definitivamente ou regulamente aquelas que dependem deste complemento.

Minoria fundamentalista

Porém, ainda assim, o presidente da República recebe de forma reiterada, dura crítica de uma minoria fundamentalista que não perdoa o fim do aparelhamento do Estado, e o término do financiamento de atividades violentas de intimidação da população. Algo que aqueles que conhecem os mecanismos ideológicos de dominação identificam como estratégias de “amansamento” do povo até que se chegue à “paz dos cemitérios” visível em “democracias” como Cuba e Coreia do Norte, por exemplo.

A esses movimentos, fortemente ativos nas redes sociais, ou mesmo em determinadas manifestações supostamente em defesa da “liberdade e da democracia” movidas à base de destruição do patrimônio público e privado, pedras, coquetéis Molotov e estilingues, Temer não deve se intimidar.

A saída para Michel Temer tornar-se simpático a estes grupos e ser idolatrado por estes zumbis ideológicos, seria simples: vestir uma camisa de Che Guevara ou usar um chapéu vermelho que o identificasse com estas hordas. Mas provavelmente Michel Temer saiba que, usando este artifício, talvez até conquistasse a simpatia desses grupos celerados minoritários. Mas, perderia de vez o respeito da maioria silenciosa da população brasileira.

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