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Uma discussão entre advogado e testemunha interrompeu a sessão do júri do caso Bernardo

Fórum de Três Passos teve uma sessão movimentada no terceiro dia de julgamento dos réus. (Foto: Divulgação/TJ-RS)

Um perito, uma professora e um ex-prestador de serviços foram ouvidos na manhã dessa quarta-feira no Tribunal da cidade gaúcha de Três Passos, onde ocorre nesta semana o julgamento dos quatro réus no processo sobre o assassinato do menino Bernardo Boldrini. Com isso, encerrou-se a lista de testemunhas indicadas para depoimento pela defesa do médico Leandro Boldrini, pai da vítima.

Ele é acusado de ser o mentor do crime, enquanto a autoria é atribuída à sua segunda esposa, Graciele Ugulini (madrasta da criança). Já a amiga Edelvânia Wirganovicz, com a ajuda do irmão Evandro Wirganovicz, teria colaborado na ocultação do cadáver, em troca de ajuda financeira.

Morador da cidade, Bernardo Uglione Boldrini tinha 11 anos quando recebeu uma overdose de sedativos, no dia 4 abril de 2014. A família comunicou o desaparecimento e o corpo do estudante foi encontrado dez dias depois, em uma cova à beira de um riacho no município de Frederico Westphalen.

A manhã foi movimentada: A juíza Sucilene Engler, que preside o Júri, precisou fazer duas pausas. Na primeira, uma discussão entre a primeira testemunha e o advogado de Edelvânia interrompeu a sessão por cinco minutos. Já na segunda, Minutos depois, outras testemunhas relataram mal-estar devido a problemas como pressão alta. Como a defesa de Leandro abriu mão de três testemunhas, essa fase do julgamento foi encerrada. Os interrogatórios recomeçaram à tarde, com a oitiva do pai do menino Bernardo.

Perito

O perito aposentado do IGP (Instituto-Geral de Perícias) do Paraná, Luiz Gabriel Costa Passos, depôs como contratado pela defesa do médico Leandro Boldrini (pai de Bernardo) para confrontar a análise feita pelo órgão gaúcho e que apontou resultado “inconclusivo” na comparação entre a assinatura de Leandro e o receituário do sedativo Midazolan (de uso controlado), comprado por Graciele e Edelvania e que causou a morte do garoto.

No parecer do especialista particular, foram identificadas várias discrepâncias entre os padrões de escrita de Leandro e o papel apreendido pelos investigadores, levando à conclusão de que a rubrica “não procedeu do punho de Leandro Boldrini”, o que indica uma falsificação.

Socorrista

Em seguida, falou o socorrista Luiz Omar Gomes Pinto, funcionário de uma universidade. Conheceu Leandro Boldrini da época em que ele era casado com Odilaine Uglione, mãe de Bernardo e que se suicidou em 2010. Ele, que já prestou serviços a um sítio da família Boldrini, disse se sentir grato pelo fato de o filho ter sido atendido gratuitamente pelo médico após sofrer traumatismo craniano.

Luiz Omar contou, entretanto, que após o médico iniciar o relacionamento com Graciele (segunda esposa), ela teria dado ordem para que Bernardo não tivesse mais contato com a família da testemunha, por terem sido amigos de Odilaine, mãe de Bernardo. Sobre o abandono paterno de Bernardo, o socorrista disse ter visto momentos de afeto entre pai e filho e que Leandro era ausente “porque precisava salvar vidas”.

Ele também admitiu que sua esposa soube de maus tratos a Bernardo ao encontrar o garoto chorando na rua: “O menino então contou que a madrasta teria tentado sufocá-lo, parece que com um travesseiro ou uma almofada, não tenho certeza”. O casal teria optado por não denunciar o fato “porque a corda sempre arrebenta do lado mais fraco”.

Quando um advogado de Edelvânia perguntou se a madrasta de Bernardo tinha um amante, a testemunha pediu que ele falasse mais baixo. O defensor, que já falava alto, subiu ainda mais o tom de voz e, de dedo-em-riste, acusou Luiz Omar de estar mentindo. A juíza então interrompeu a audiência por cinco minutos e repreendeu o advogado, que no entanto voltou a discutir com a testemunha assim que a sessão foi retomada: “Por que tu estás me encarando?”, desafiou.

Ex-professora

Já a ex-professora Maria Lúcia Cremonese, que conhece o médico desde criança em Campo Novo, falou que Leandro Boldrini vem de uma família “linha-dura” e, quando era seu aluno, demonstrava grande inteligência e gosto pela leitura, além de não apresentar problemas de disciplina.

Ela também salientou que aceitou ser testemunha de defesa a pedido da mãe do réu. “Queriam que eu corroborasse com essa coisa de ele ter sido desatento”, revelou. Por fim, disse que não conheceu pessoalmente a madrasta de Bernardo, pois não teve mais convivência com o ex-aluno depois que ele fez 30 anos de idade.

(Marcello Campos)

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