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Uma feira de carros só para mulheres faz sucesso na Arábia Saudita

Mulher saudita registra feira de carros para o público feminino. (Foto: Reprodução)

A Arábia Saudita é o único país que proíbe mulheres de dirigir. A situação muda a partir de junho, quando elas poderão tirar a habilitação. A decisão foi divulgada em setembro do ano passado.

Mesmo faltando alguns meses para a liberação, uma feira de carros exclusiva para elas faz sucesso no país. No local, fabricantes como Toyota, Nissan e Hyundai exibiram seus modelos.

Autorização

O rei da Arábia Saudita, Salman bin Abdelaziz, autorizou no dia 26 de setembro passado que mulheres possam dirigir veículos no ultraconservador país muçulmano e que sejam expedidas carteiras de motorista para elas.

A agência oficial de notícias saudita, “SPA”, divulgou na época que a ordem real entrará em vigor em junho deste ano, mas não deu mais detalhes a respeito.

Além disso, o monarca criou um comitê formado pelos Ministérios de Interior, Fazenda, Trabalho e Desenvolvimento Social para que apresentassem suas recomendações sobre o tema.

A Arábia Saudita era o único país no mundo a proibir mulheres de dirigir.

Segundo a Reuters, o Departamento de Estado dos EUA celebrou a notícia, chamando a permissão concedida pelo rei de “um grande passo na direção certa”. Também o secretário geral da ONU, Antonio Guterres, chamou a decisão de “um importante passo na direção certa” em uma mensagem em seu perfil no Twitter.

Polêmica

Alguns dias antes da autorização, um vídeo gerou polêmica ao mostrar um clérigo saudita afirmando que mulheres “não merecem dirigir porque só têm um quarto de cérebro” .

As declarações provocaram reações enfurecidas de mulheres nas redes sociais, especialmente de países árabes onde a lei permite que elas possam dirigir. A Arabia Saudita é o único país no mundo onde as mulheres não podem dirigir carros. No passado essa proibição provocou muitos protestos.

O clérigo, que pode emanar fatwas (opiniões legais no direito islâmico) na província saudita de Assir, foi proibido de realizar sermões, liderar orações ou outras atividades religiosas.

Apesar da segregação, mais mulheres já se formam em universidades do país do que os homens e, hoje, elas constituem 18,6% da força de trabalho. Cerca de 91% das mulheres são alfabetizadas, um avanço inegável nos últimos 40 anos, embora o número ainda seja inferior ao da alfabetização masculina. A média de idade das sauditas ao se casarem é de 25 anos.

Futebol

As mulheres na Arábia Saudita tiveram a permissão para entrar em um estádio de futebol pela primeira vez na última sexta-feira (12). Elas assistiram a uma partida entre dois times locais, mas separadas da multidão masculina com assentos designados na chamada “seção família”. O primeiro estádio a abrir as portas ao público feminino foi na cidade de Jiddah.

O movimento é parte da primeira reforma social da Arábia Saudita, com planos para ser implementada ao longo deste ano, o que vai ampliar os direitos femininos no país, de modo a diversificar o mercado de trabalho para ampliá-lo. O príncipe herdeiro, Mohamed bin Salman, de 32 anos, quer quebrar tabus e modernizar o país onde a metade da população tem menos de 25 anos.

 

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