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Homenagem do Exército brasileiro a um major alemão provoca polêmica nas redes sociais

Exército presta homenagem a major Otto, morto por engano pelo Colina, que pretendia fazer atentado contra militar boliviano. (Foto: Divulgação/ECEME)

A homenagem feita pelo Exército brasileiro ao major do exército alemão Eduard Ernest Thilo Otto Maximilian von Westernhagen, morto a tiros em 1º de julho de 1968 no Rio durante ação do grupo de luta armada Colina (Comando de Libertação Nacional) abriu espaço para polêmica nas redes sociais nos últimos dias.

Segundo o Exército, a homenagem foi prestada pela forma como o major Otto foi assassinado e pela carreira que teve até então. O episódio gerou repercussão na internet depois que usuários das redes associaram a carreira do militar alemão ao regime nazista de Adolf Hitler, argumento interpretado com cautela por historiadores.

Otto alcançou seu primeiro posto na carreira de oficial em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, quando comandou um pelotão de blindados da Alemanha nazista. Segundo reportagens publicadas pelo jornal O Globo e pela “Folha de S.Paulo” após o assassinato, major Otto foi condecorado por Hitler por ter sido ferido numa batalha.

Segundo o professor de História Contemporânea da Universidade de São Paulo, Everaldo de Oliveira Andrade, a condecoração ou a própria participação do oficial como soldado durante o regime de Adolf Hitler não significa que o major von Westernhagen era defensor dos ideais do Partido Nazista.

Andrade cita, por exemplo, a presença de soldados socialistas, comunistas e conservadores contrários ao nazismo mas levados ao Exército em meio à recrutação em massa durante a Segunda Guerra Mundial. Outro ponto lembrado pelo professor é que o major fez parte do Exército Alemão e não da SS, corpo militar formado por soldados nazistas.

“Não dá para envolver todo o Exército alemão com o Partido Nazista, havia resistências”, disse o professor, que completou: “A repressão às instituições democráticas criou um regime totalitário e que obrigou muitos cidadãos alemães a se incorporar ao Exército”.

Coluna publicada pelo jornalista Elio Gaspari no Globo em 25 de junho de 2008 dá conta que a família de Otto era ligada aos militares. Seu sogro teria sido general da SS, a tropa de elite do nazismo.

Após o fim do conflito, o exército alemão foi dissolvido. Otto voltaria ao exército como capitão em 1955, quando as forças armadas foram recriadas já na República Federal Alemã, aliada do Ocidente. Dez anos depois, ele seria promovido a major e indicado para o Curso de Altos Estudos da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército. Foi por meio desse instituto que ele veio parar no Brasil, onde fazia um intercâmbio na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

Na mesma época, também fazia intercâmbio no Brasil o major boliviano Gary Prado, acusado de ter participado da morte do guerrilheiro Che Guevara. Confundido pelos integrantes do Colina com Prado, major Otto foi assassinado com dez tiros. O caso ficou sem solução até o fim da década de 1980 e motivou uma série de teorias sobre quem foi o mandante do assassinato, incluindo a participação de serviços de inteligência israelenses, queima de arquivo ou atentado terrorista.

O engenheiro Amilcar Baiardi foi um dos quatro integrantes do Colina envolvidos com o planejamento da morte do militar boliviano. Ele diz que caberia a ele escrever o anúncio da vingança de Che Guevara, a ser enviado a todas as organizações de esquerda. Ao Globo, Baiardi disse que não se importa muito com a homenagem ao militar da Alemanha Ocidental. Após cinco décadas, ele diz que vê, hoje, a luta armada como “uma completa insanidade”.

“Ninguém pode achar que todos os militares alemães eram fascistas, nazistas. Não dá para julgar ele ideologicamente. Tanto que dentro do próprio Exército Alemão várias pessoas não concordavam mais com Hitler”, disse, lembrando a Operação Valquíria, atentado contra Hitler praticado por alguns oficiais alemães.

Baiardi lembra-se de como foi o caso. O Colina tinha um informante dentro da escola do Exército que informou que o boliviano Prado estava no Brasil. Mas o grupo formado por Baiardi, o sargento da Aeronáutica, João Lucas Alves. o ex-sargento da PM Severino Viana Colon e o engenheiro João Roberto Monteiro passou um mês seguindo o major Otto por engano.

 

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