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Mundo Uma nova investigação diz que o piloto do MH370 estava deprimido e pode ter feito um voo suicida

Matéria diz que o capitão Zaharie Ahmad Shah teria despressurizado o avião até que todos a bordo morressem. (Foto: Reprodução)

Mais de cinco anos se passaram desde que o voo MH370 da Malaysia Airlines desapareceu e prossegue o mistério sobre o que levou o Boeing 777 a sumir com 239 tripulantes e passageiros a bordo para nunca mais ser encontrado. Diversas buscas em vários países foram infrutíferas e milhões de dólares foram gastos com poucos resultados, levando muitos a se perguntarem se um dia se saberá com certeza o destino da aeronave.

Uma nova e detalhada reportagem da revista americana The Atlantic , publicada na última segunda-feira, traz diversos indícios que apontam para uma missão suicida do piloto, o capitão Zaharie Ahmad Shah, que teria despressurizado o avião até que todos a bordo morressem e, em seguida, voado por várias horas, até o combustível acabar e o avião mergulhar em alta velocidade no mar.

O MH370 decolou de Kuala Lumpur , a capital da Malásia, rumo a Pequim, no dia 14 de março de 2014. Pouco depois de cruzar o espaço aéreo do Vietnã, quase 40 minutos após a decolagem, ele sumiu dos radares. Uma confusão no Centro de Coordenação de Resgate Aeronáutico em Kuala Lumpur fez com que os controladores de tráfego aéreo só fossem avisados quatro horas depois do desaparecimento.

Com base em registros de radar e computadores, os especialistas que investigaram o caso também determinaram que o avião que deveria ir para Pequim virou para o Sudoeste, voltando para Penang, na Malásia, e depois deliberadamente para Noroeste, rumo ao Oceano Índico, onde não podia mais ser rastreado por radar. Segundo William Langewiesche, o autor da matéria, “essa parte do vôo sugere que esse não era um caso padrão de seqüestro”.

Descartando outros possíveis suspeitos, como o copiloto, que estava feliz e prestes a se casar, ou a possibilidade de algum passageiro aleatório ter tomado controle do avião, o repórter chega na figura do capitão Zaharie.

Uma das principais evidências seria um voo-teste que o capitão teria feito em um simulador de sua casa, com a mesma rota do avião que desapareceu, terminando no meio do Oceano Índico. Ao contrário das centenas de outros trajetos testados no simulador, nesta rota o piloto teria comandado manualmente cada etapa, o que indica a importância que deu para o trajeto.

Além disso, pessoas próximas ao piloto ouvidas pela Atlantic o descreveram como solitário e triste. Ele se separara há pouco de sua mulher e seus filhos já tinham crescido.

A pergunta sobre como os passageiros e a tripulação foram dominados também foi respondida por uma hipótese da reportagem: alguém, presumivelmente o capitão Zaharie, despressurizou o avião. Os pilotos têm máscaras de oxigênio que podem durar horas, ao contrário daquelas dadas aos passageiros, que duram apenas cerca de 15 minutos.

Um especialista, o engenheiro americano Mike Exner, acredita que quando o avião fez a curva do Vietnã, subiu para 40.000 pés, o que acelerou a despressurização, “causando a rápida incapacitação e morte de todos na cabine”.

“Uma despressurização intencional teria sido um caminho óbvio – e provavelmente o único caminho – para dominar uma cabine que poderia provocar desordem em um avião que permaneceria por horas a fio voando”.

A reportagem enfaticamente condena as autoridades da Malásia, referindo-se ao então primeiro-ministro do país, Najib Razak, como alguém “monumentalmente corrupto”. O governo do país, diz o texto de Langewiesche, se provou “furtivo, temeroso e pouco confiável”, tendo se caracterizado pela incompetência, por reter informações e por ser desorganizado.

“Se os malaios tivessem contado a verdade desde o início, os destroços poderiam ter sido encontrados e usados para identificar a localização aproximada do avião; as caixas pretas poderiam ter sido recuperadas”, diz o texto.

A matéria termina fazendo um apelo para que as autoridades da Malásia abram os arquivos relacionados à investigação do voo, o que, segundo o texto, é a melhor chance de desvendar o mistério. Caso investigadores independentes tenham acesso ao material que já foi coletado, afirma autor, o mistério pode enfim ser desvendado.

“As respostas importantes provavelmente não estão no oceano, mas sim na terra, na Malásia. Esse deve ser o foco para avançar. A menos que sejam tão incompetentes quanto a força aérea e o controle de tráfego aéreo, a polícia malaia sabe mais do que ousou dizer. O enigma pode não ser profundo. Essa é a frustração aqui. As respostas podem estar bem à mão, mas são mais difíceis de recuperar do que qualquer caixa preta”.

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